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Trabalhando com equalizadores

Não gosto de equalizadores. Aliás, não gosto de periféricos nenhum: nem eq´s, nem compressores, nem efeitos. Gosto de uma boa mesa de som, de boas caixas de som, de bons microfones. Acho que a compra de periféricos só vale a pena quando os outros componentes (mics - cabos - mesa – caixas acústicas) já são bons, e ainda falta acertar uma ou outra coisa, quando aí sim os periféricos podem ser úteis.

Visitei uma igreja onde havia uma Ciclotron MXS com um equalizador Behringer FBQ 3102, 31 faixas de equalização por canal! Pergunte se o som lá é bom? Não, não é. É o som de uma mesa Ciclotron MXS um pouquinho melhorado. Se a pessoa que doou o equalizador para a igreja tivesse pego os R$ 850,00 que o mesmo custou e tivesse investido em uma boa mesa de som, aí sim o som seria outro, muito melhor.

Mas, inegavelmente, quando a acústica ou as caixas acústicas do lugar são muito ruins, um equalizador vai servir como uma ajuda e tanto, minimizando o problema. Não que vá resolver, mas consegue-se melhorar muito. Mas não pense que ajustar um equalizador gráfico é uma tarefa fácil. Muita gente “regula” desenhando figuras como uma boca sorrindo, uma boca triste, “morrinhos”, etc. Nada disso está certo. Regular um equalizador depende do conhecimento da acústica do local, dos equipamentos e instrumentos em uso, das caixas disponíveis e o tipo de público. Cada caso é um caso.

Nada substitui um ouvido apurado quando se trata de configurar um equalizador. Mas como ter ouvido apurado é algo que leva tempo e treinamento, colecionamos alguns textos que ajudam a identificar as frequências que estamos ouvindo em relação ao compressor.

O primeiro texto é da Behringer, fabricante alemã,  que disponibiliza os os efeitos da equalização das frequências sobre os instrumentos musicais e sobre a voz. Esse manual serve de referência, mas lembre-se de confiar nos seus ouvidos. Também a acústica local deve ser levada em conta.

Nota: as frequências relacionadas servem para qualquer equalizador – seja de 5, 7, 10, 15 ou 31 faixas, pois dão idéia da atuação das faixas de frequências.

Efeitos da equalização na reprodução dos instrumentos musicais

31 a 63Hz – Sons muito graves
Fundamentais do bumbo da bateria, tuba e contrabaixo (acústico ou elétrico). Estas freqüências dão à música a sensação de poder. Se forem enfatizadas demais, fazem a música ficar “confusa”, com perda de inteligibilidade (clareza e definição). A freqüência de 60Hz pode ser usada para diminuir o barulho de “hum” causado pela energia elétrica (que usa essa freqüência).

Nota: em geral, somente caixas de som com woofers de 12” ou maiores conseguem “falar” freqüências abaixo de 60Hz.

80 a 125Hz – Sons graves
Fundamentais de tambores e alguns tipos de percussão. Se muito enfatizado, produz excessivo “bum”. A frequência de 125Hz também pode ser usada para diminuir o “hum” da energia elétrica (é a 1ª harmônica)

160 a 250Hz – Sons médio graves
Fundamentais do surdo e tons da bateria. Se muito enfatizado, produz excessivo “bum”. A frequência de 250Hz também pode ser usada para diminuir o “hum” da energia elétrica (é a 2ª harmônica)

315 a 500Hz – Sons médios
Fundamentais dos instrumentos de corda

630 a 1KHz – Sons médios
Fundamentais e harmônicos dos instrumentos de corda, teclado. Aumentar muito esta faixa pode fazer os instrumentos soarem estranhos, como “de dentro de uma corneta”.

1.25k a 4kHz – Sons médio-agudos
Principal região dos metais, cordas, teclado, percussão. Muita ênfase entre 1K e 2KHz podem fazer instrumentos soarem “som de lata”. Muita ênfase em qualquer lugar entre 1K a 4KHz produz “fadiga auditiva”.

5k a 8kHz – Sons agudos
Acentuação de cordas e metais. Redução a 5KHz faz com que tudo soe mais “distante” e “transparente”. Nessa área podemos reduzir os chiados dos equipamentos e caixas de som. A região entre 1.25K e 8KHz é responsável pela clareza e definição, a inteligibilidade do que ouvimos.

10k a 16kHz – Sons agudos
Metais e “brilho” dos instrumentos. Muita ênfase causa sibilância. Pode-se reduzir chiados no sistema nesta região

Efeitos da Equalização na reprodução de voz

80 a 125Hz – Sons graves
Sensação de poder na voz masculina baixo

160 a 250Hz – Sons médio graves
Fundamentais da voz

315 a 500Hz – Sons médios
Importante para a qualidade da voz

630 a 1KHz – Sons médios
Importante para a naturalidade da voz. Muita ênfase entre 315Hz e 1KHz faz a voz ficar como “de telefone”.

1.25k a 4kHz – Sons médio-agudos
Área da definição dos fonemas fricativos (f, v, s, z) e acentuação das vozes. Importante para a inteligibilidade da fala. Muita ênfase entre 2 e 4KHz pode mascarar a fala de alguns sons, fazendo com que “m”, “b” e “v” se tornem indistinguíveis. Muita ênfase em qualquer lugar entre 1K a 4KHz produz “fadiga auditiva”.

Pode-se dar uma ênfase na fala aumentando-se um pouco os 3KHz e ao mesmo tempo diminuindo essa mesma região para os instrumentos (Nota: isso se a gente tivesse equalizadores para todo mundo. Como não tem….).

5k a 8kHz – Sons agudos
Acentuação da voz. A região entre 1.25K e 8KHz é responsável pela clareza e definição, a inteligibilidade do que ouvimos.

10 a 16kHz – Sons agudos
Muita ênfase causa sibilância.

Na Revista Áudio, Música e Tecnologia de Abril/2006 aparece a seguinte tabela

Herz Região Palavra Chave Excesso Falta
20-40 SubGraves Fundação Flácido Raramente percebido
40-80 Graves Profundos Profundidade Sobrando/Frouxo Leve/Duro
80-160 Graves Base Gordo/Pesado/”U” Magro/Frio
160-320 Graves/Médias Baixas Densidade Cavernoso/”Ô” Apertado
320-640 Médias Baixas Corpo Oco/Fanho/”Ô Preso
640-1k2 Médias Baixas Força Buzina/Telefone/”Ó” Distante/Oco
1k2-2k5 Médias Altas Projeção Lata/Metálico/”É” Estrangulado
2k5-5k Médias Altas / Agudos Presença Estridente/Agressivo/”Í” Velado
5k-10k Agudos Brilho Sibilante/Magro/”S” Abafado/Fosco
10k-20k Super Agudos Ar Zunido/Soprado Pouco Percebido

A tabela acima mostra os termos usados por leigos para dizer como um som está. Se você ouvir alguém reclamando que a voz está “fanha”, já dá para saber que é excesso nas frequências entre 320 e 640Hz. É de grande valia, principalmente para quem está começando.

O próximo texto é de Edu Silva, administrador do site www.audiolist.org:

Um exemplo prático

Esses dias um amigo me pediu para ajudar na configuração de um equalizador na sua igreja. O problema reclamado: ”som muito embolado”. Após ouvir muito e vários testes, “de ouvido” chegamos à seguinte configuração:

 

Os graves abaixo de 100Hz foram atenuados, e os sons acima de 2,5kHz foram incrementados. Em 16kHz atenuamos completamente. Vamos explicar porque fizemos isso.

A igreja é muito fechada. Teto baixo, uma grande parede fechada atrás. As janelas são poucas. Nesse caso, os sons graves, que são difíceis de serem absorvidos, acabam “presos” dentro da igreja, reverberando. São eles uma das causas da “embolação”.

Como a igreja é pequena e a bateria não é microfonada, havendo apenas um contrabaixo como instrumento que gera mais graves, optamos por atenuar os sons abaixo de 100Hz.. O contrabaixista reclamou de um pouco de falta de “peso”, mas como a sonoridade geral melhorou (diminuiu a embolação), acabou ficando dessa forma.

A mesa de som usada por eles tem sonoridade muito simples, com falta de agudos. As próprias caixas também não ajudam, com pouca resposta de agudos. Para melhorar a inteligibilidade geral, os sons acima de 2,5kHz foram incrementados, até chegar a +12dB em 10kHz. Depois que fizemos isso, as vozes ficaram melhor realçadas, assim como instrumentos de cordas.

Nessa configuração, os tweeters seriam muito exigidos. Orientei a ter muito cuidado, evitar a ocorrência de tiros, estalos, etc. E assim que possível, trocá-los por outros mais potentes e melhores.

Como o ruído próprio dos equipamentos também aumentou, aparecendo um irritante chiado, optamos por atenuar completamente em -12dB a faixa de 16kHz, o que resolveu o problema por completo.

Após alguns dias de uso, o rapaz da igreja me ligou dizendo que todos estavam muito satisfeitos.

Como já dissemos, cada caso é um caso. Para essa igreja, foi uma boa regulagem, levando em conta a acústica, os instrumentos em uso e as caixas acústicas.

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Revisado/reescrito em 21/Mar/2008

 

  1. gope:
    Equalizador é indispensável nas mãos de quem sabe, mas pode ser uma catástrofe nas maõs de outros.
    Como nosso caso é,na maioria das igrejas,som amdor,
    prefiro ter um bom pré-amp. do que um equalizador gráfico.

    Abçs
  2. R. Leal:
    Me surgiu uma duvida a respeito de equalizacao.

    Tenho insertado no canal do mic um eq de 31 bandas, suponhamos q eu atenue em 3dB a frequencia de 80Hz no equalizador e tb atenue cerca de 3dB no EQ da mesa a freq. de 80Hz, qual sera o valor total da atenuacao, 6 dB? ou somente 3dB pq pelo fato do EQ estar insertado no canal ele ´´anula´´ a equalizacao da mesa.
  3. thiago:
    Olá Raphael,

    a atenuação será de 6 db, pois o insert não anula nada na mesa (pelo menos numca vi isso em manual nenhum). O som simplesmente passa por ele, vai até o equalizador e volta novamente.
  4. gope:
    ôpa!
    [quote="raphael leal":3m0nwqq9]
    Tenho insertado no canal do mic um eq de 31 bandas, suponhamos q eu atenue em 3dB a frequencia de 80Hz no equalizador e tb atenue cerca de 3dB no EQ da mesa a freq. de 80Hz, qual sera o valor total da atenuacao, 6 dB? [/quote:3m0nwqq9]
    O seu pensamento está certo, porém há uma ressalva. O eqs tem larguras de banda diferente, um gráfico de 1/3 de oitava é bem mais seletivo, já o eq da mesa é muito mais abrangente

    Isso significa que o eq da mesa altera mais as freq "vizinhas". Já o gráfico altera pouquíssimo(isso tbm depende do tipo de gráfico, se com Q variável ou constante).

    Abçs!

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