Meu primeiro Studio R

Quando alguém cita os grandes nomes do áudio brasileiro, pode ter certeza que o nome do engenheiro Ruy Monteiro estará na lista. O “seu Ruy”, como é chamado, trabalha com áudio há 40 anos. Mais especificadamente, amplificadores e potências. Participou do projeto de amplificadores notórios, como o Gradiente A-1, Nashville NA-1600 e NA-2200 e o Micrologic M-1000. Além de terem marcado época como os primeiros produtos nacionais verdadeiramente profissionais (produzidos nas décadas de 70 e 80), o projeto já era muito bom, tanto que ainda existem muitos no mercado em pleno funcionamento.

No final dos anos 80, o seu Ruy abriu sua própria empresa, a Studio R. Começou fabricando mesas de som e Direct Box, mas no início dos anos 1990 firmou o nome da empresa com amplificadores de altíssima qualidade e resistência. A série de amplificadores Heavy Duty é simplesmente lendária: é difícil ver um desses com defeito. São os amplificadores preferidos dos profissionais: é grande a quantidade de trios elétricos que usam a marca.

Qual o segredo da marca? Projeto, qualidade, resistência e proteções. As décadas de experiência em projeto de amplificadores do seu Ruy o fazem saber perfeitamente o que funciona e o que não funciona, o que é essencial e o que não passa de penduricalho. Um excelente exemplo são as fontes de alimentação. Como o fornecimento de energia elétrica é precário em muitas regiões do Brasil, fazer uma fonte que aguente trabalhar com grandes variações de voltagem é uma dessas necessidades imprescindíveis. Outro exemplo: tudo o que precisar ser fixado deve ser muito bem preso. Nada de encaixes, mas sim soldas, por que as condições das estradas brasileiras não são as melhores. Tudo isso, evidentemente, influencia na qualidade geral do aparelho e na resistência do mesmo. Aliás, os exemplos citados acima também são o motivo pelo qual os amplificadores importados não fazem muito sucesso aqui no Brasil.

Quanto às proteções, os fabricantes costumam ter várias linhas de produtos. Alguns tem uma linha simples (básica), com poucas proteções; uma linha média (já com mais proteções) e outra top de linha, cheia de proteções. Um exemplo é a Ciclotron, com a linha DBK (simples – proteção de temperatura e DC), a linha PWP (acrescenta circuitos AutoRamp e proteção contra curto) e a linha TIP (completa linha de proteções, incluindo limitadores de potência). Vários outros fabricantes trabalham assim: Oneal, Staner, Machine, etc. têm diversas linhas e preços. Mas a Studio R, ao contrário, só tem uma linha – a top de linha! Não se encontra potência da Studio R que não seja cheia de recursos e proteções.

Não estou dizendo que uma potência simples não seja boa. Funciona, e funciona bem. A série DBK da Ciclotron, por exemplo, é a mais vendida do Brasil. São amplificadores confiáveis. Mas quando a gente trabalha com potências profissionais, cheias de circuitos de proteção, é muito mais fácil de trabalhar. Um exemplo, mínimo mas importante: nos amplificadores profissionais, ao se ligar o amplificador, o mesmo não inicia logo com potência máxima, mas sim devagar. O volume é aberto aos poucos, por causa da existência de um circuito chamado AutoRamp (ou SoftStart ou SoftOn, depende do fabricante). Pois bem, a falta desse circuito pode provocar a seguinte cena: alguém liga o amplificador quando alguma fonte sonora está funcionando e pronto: todo mundo (inclusive quem opera o sistema) toma um susto enorme. Imagine isso em uma igreja, com crianças e idosos. Eu já presenciei várias vezes e sempre foi a causa de merecidos brigueiros dos responsáveis da igreja em relação à equipe de som.

Outra situação em que o circuito de proteção é essencial: o operador de som erra e começa a trabalhar com níveis de sinal exagerado. Um amplificador normal entrará em clipping e o som sairá distorcido. Acontece que os falantes só suportam 5% de distorção. Mais que isso queimam (NBR 10.313 – a norma brasileira atual). Assim, se o operador não perceber o que está acontecendo (e em igrejas isso acontece muito, gente que acha que as luzes do amplificador são somente de enfeite), o prejuízo será grande! Já um amplificador com circuito limitador não deixará acontecer nem o clipping nem a distorção, ou restringirá a distorção a um limite suportável pelos falantes.

Note também que,apesar de toda a qualidade por trás da marca Studio R, outros fabricantes também tem produtos na mesma linha de qualidade e resistência, também cheio de proteções. O elogio que fiz até agora foi para o uso de potências de série profissional no lugar dos modelos mais simples. O único problema é que as séries profissionais são muito mais caras que as séries simples. Um TIP custa 50% a mais que um DBK de mesma potência!

Bem, isso aqui era para ser um teste de equipamentos, e não um artigo! Mas essa introdução foi necessária, pois o que vou citar daqui para baixo vai fazer uma grande diferença para todos nós. Não vou nem entrar nas diferenças de “qualidade sonora” – porque é subjetiva, e segundo porque acho que nem tem tanta diferença assim no som entre um DBK e um TIP, por exemplo, também não vou entrar nas especificações técnicas (que sim, fazem diferença). Mas o que vou comentar abaixo mudará sua forma de ver os amplificadores para sempre!

Em 2005, a Studio R lançou uma série revolucionária: a série X. O seu Ruy, do alto da sua experiência, sabia que uma grande parcela do peso, tamanho e custo de um amplificador reside na sua fonte de alimentação. Quanto maior à potência, mais pesada, mais cara e maior a fonte seria. Chegou-se ao cúmulo de, um amplificador de 5.000W RMS ter 5U de altura e 50KG de peso. A grande “sacada” do seu Ruy foi desenvolver uma linha de amplificadores com fonte diminuta, mas sem perder a qualidade. Para os mais técnicos, parece que ele desenvolveu um amplificador classe H com qualidade de AB, dando origem a uma nova classe, chamada AB variável. Para quem não se preocupa com isso, resta saber o seguinte: amplificadores levíssimos, pequenos e potentíssimos. Veja um exemplo:

Studio R ACE – 2.400W RMS – 1U de altura, 11kg (o ACE é o irmão menor da família X)
Studio R X5 – 5.600W RMS – 2U de altura, 15,5kg
Studio R X12 – 11.000W RMS – 2U de altura, 17,5kg – o amplificador mais potente do mundo!

Essa série é realmente fantástica. Só para dar um exemplo real, vários trios elétricos baianos, cuja estrutura física já não suportava mais o peso de dezenas de amplificadores, trocaram os antigos pelos da série X, podendo aumentar em muito a potência mesmo com equipamentos menores e mais leves. E sem comprometer a qualidade: que ficou a mesma ou até melhorou!

Por último, os preços dos amplificadores também diminuiu. Uma fonte menor significa menos fio, menos cobre e aço, menos custo. Os Studio R ficaram mais baratos que seus similares de mesma linha. Mas ainda continuam com preços altos, de top de linha. Também, não é para menos: o menor amplificador da série X, o X1, começa com 1.200W RMS!

Bem, por causa do segmento de mercado (top de linha), a Studio R é a primeira opção dos profissionais, mas era a última do pessoal das igrejas. O custo sempre foi fator muito importante nas igrejas, e além disso a maioria delas simplesmente não precisa de amplificadores de 1.200W RMS ou mais. Assim, é raro encontrar Studio R em uma igreja (a não ser nos grandes templos, onde o pessoal costuma investir mais), enquanto os Ciclotron DBK são os mais vendidos para esse fim. Vá em qualquer loja de equipamentos e pergunte qual o mais vendido para os igrejas. Eu fui em várias, e a resposta invariavelmente era uma só: Ciclotron.

Pois bem: atento a esse mercado, o seu Ruy resolveu lançar uma linha para concorrer diretamente nesse segmento. Lançou os Z500 (500W RMS – mesma potência que o DBK 2000), o Z700 (700W RMS, pouco menos que o DBK 3000 – 750W RMS), e o Z900 (900W RMS, pouco menos que o DBK 4000 – 1.000W RMS). São amplificadores classe AB, 4 Ohms, com completos circuitos de proteção (equivalentes à série TIP, não à série DBK), mais leves (5kg desses modelos da Studio R contra  10Kg do DBK 2000, 13Kg do DBK 3000 e 14Kg do DBK 4000) e mais baratos que os DBK! Um Z500 está custando em média 100,00 reais a menos que um DBK 2000! Isso sem contar a garantia de 3 anos da Studio R contra a de um anos ou dois dos concorrentes.

Veja só essa situação: os Studio R Z500, Z700 e Z900 são muito melhores, muito mais resistentes, garantia maior e preço menor que qualquer concorrente brasileiro. Desculpe comentar, mas não tem mais para ninguém! Produto arrasador! Um amigo lojista vendeu em duas semanas 10 Studio R Z500, e nenhum DBK 2000! Ou melhor, muita gente de igreja (que não entende muito) até procurou o DBK 2000, mas quando viu o Studio R com mesma potência, qualidade superior, preço menor e garantia 3 vezes maior, não tiveram dúvidas.

Para mim, que todo final de semana faço eventos da igreja em um lugar diferente, o peso sempre foi um fator preocupante. Já estou acima de 30 anos, sou sedentário e minhas costas simplesmente não aguentam mais carregar equipamentos pesados. Um amplificador de 5Kg é muito bem vindo! Imagine trocar um único DBK 4000 por 3 Studio R Z900 com praticamente o mesmo peso! Vai ser um alívio, tudo será mais simples.

Este é o painel traseiro da série Z500/Z700/Z900. Note as entradas balanceadas e a chave para seleção de modo paralelo, típicos de amplificadores profissionais. Série DBK não tem nada disso. Série PWP tem. Para ficar perfeito, só faltou a opção “brigde”.

Tchau Ciclotron, foi bom enquanto durou. Mas já estou de “amor” novo, meu Z700 já está encomendando. Aliás, deixe aproveitar a oportunidade:

Vendo amplificador DBK 3000, muito bom, serigrafia perfeita, nunca deu problema,…

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Informação acrescentada em 19 de dezembro de 2006.

Chegou, chegou, o Z700 chegou. O primeiro impacto foi pegar o amplificador na caixa e sentir os 5,5 Kg da caixa (0,5kg de embalagem). A novidade foi sucesso na loja toda: todo mundo parou para ver, para sentir o peso! Já em casa, tirei algumas fotos só para comparar. Vejamos:

O Z700 é bonitão em comparação com o DBK 3000. E são dois U do Z700 contra três do DBK . Na frente, só a chave liga-desliga e as luzes indicativas de funcionamento. A ausência das alças de transporte indica claramente a sua finalidade: para ser usado em rack de equipamentos. A frente do DBK é toda feito em aço, enquanto a frente do  Studio R é em plástico. No rack, dura para sempre. Fora do rack… A vantagem é que isso reduz o peso.

Os atenuadores (erradamente chamados de “volume”) não estão na frente, mas sim atrás. Em 99% dos casos, eles estão sempre no máximo, logo, porque deixá-los na frente? De qualquer forma, pessoalmente acho a solução de atenuadores de baixo perfil na frente do DBK ótima, mais fácil de trabalhar na hora do 1% que precisamos mexer. Note, do lado esquerdo do Studio R, as entradas balanceadas, e do lado direito a seleção de aterramento (pode vir aterrado na carcaça ou não).

Uma falha da Studio R: o DBK tem indicação da amperagem do fusível e o Studio R não tem. Apesar da informação constar no manual, seria muito melhor que constasse no próprio produto. Espaço para isso sobra. Uma pequena falha nos detalhes, mas que pode trazer uma dor de cabeça quando estamos nas cidades do interior e sem manuais por perto.

Detalhe do painel traseiro. Tudo muito bem explicado e com opções profissionais: entradas XLR, chave estéreo/paralelo, etc. Os bornes aceitam facilmente fio de 4mm de bitola, enquanto os bornes do DBK mal mal aceitam fio 2,5mm.  Ambos aceitam o plugue banana.

O comprimento do DBK também é maior do que o Studio R. Menor em altura e em comprimento e quase 1/3 do peso, tudo isso na mesma potência. Além do DBK ter comprimento maior, ele tem dois anteparos que se projetam para além do corpo do amplificador. Esses anteparos tem uma função bastante interessante:

Eles permitem ao DBK ser transportado e colocado em pé sem “machucar” o cabo de força e os bornes. No Studio R, isso é impossível. Mas é necessário lembrar que o Studio R é projetado para trabalhar somente instalado em rack. Aliás, cabe lembrar do ditado: “equipamento em rack dura, fora do rack…”.  De qualquer forma, a Studio R poderia lançar um modelo com alças e com anteparos, pelo menos opcionais. Ponto para a Ciclotron!

Aproveitando ainda a foto acima, note como o DBK é completamente perfurado por baixo para a colocação dos parafusos, enquanto o Studio R é absolutamente limpo, tanto embaixo quanto em cima. Nota 10 para design.

Essa é a foto do duto de refrigeração do Studio R. Não dá para ver direito, mas por dentro desse duto não há componentes eletrônicos, apenas um dissipador de calor. O duto é selado, isolado dos componentes eletrônicos, e isso traz uma grande vantagem: preserva-se os componentes da poeira ambiente. Além disso, o Rodrigo, diretor comercial da Studio R, comentou em um workshop que já teve cliente que usou o amplificador debaixo de chuva e, após abrir para verificar os danos no aparelho, notou que ele estava completamente seco, apenas o duto molhado. Nada como um excelente projeto!

Já esse é o duto do DBK 3000. Dá para ver claramente que os componentes eletrônicos estão bem próximos. Isso é um problema, pois a poeira ambiente é toda jogada para cima dos componentes, gerando com o tempo problemas de mal contato. Para evitar isso, a Ciclotron protege o ventilador com um pequeno filtro, e até envia outro sobressalente. Mas depois de alguns anos, de uso, acaba-se sem filtro mesmo, como pode-se notar pelas primeiras fotos.

Infelizmente, não deu para tirar fotos da parte interna. Quando eu já buscava a chave Philips, notei a existência de um selo de garantia.

Quanto ao manual, aqui a Ciclotron dá de 10 a zero. Enquanto a Ciclotron envia um bastante decente manual devidamente encadernado, o da Studio R não passa de uma impressão (laser, pelo menos) grampeada. As fotos do produto ainda são antigas, a parte que fala sobre a bitola dos cabos é completa até demais, e por isso confusa. Falam em um tamanho de cabo para ruído rosa, outro para axé, outro para rock, etc.. Ora, porque não fazer uma tabela só, mais simples, e dimensionado para a pior das hipóteses (o ruído rosa)? Essa parte no manual da Ciclotron está muito melhor, mais fácil de entender.

Fora isso, graves “redondos” e agudos “claríssimos”. Até os D210Ti passaram a “falar mais” do que com o DBK 3000.