Sonorizando na ONU

Sonorizando na ONU

Artigo escrito por Gabriel Roesner Lima em 19 de dezembro de 2013

Olá amigos. O que me motivou a escrever hoje foi o local um tanto diferente em que trabalhamos, e a grande responsabilidade que o evento envolve. Escrevo da sede da ONU em Brasília/DF (para quem conhece a cidade, fica no Setor de Embaixadas Norte), e fui chamado, já não pela primeira vez, para montar e operar um sistema de Split para emissoras de TV.

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INTRODUÇÃO

A história aqui na realidade é simples, mas o auditório do local, que possui um equipamento de som próprio, não tem equipamentos suficientes para fazer isso com qualidade. E, como também não têm operador de áudio no local, preferem locar os equipamentos que faltam, para assim usufruir do serviço do técnico.

OBS: Como a ONU é um órgão sério, o que acarreta várias burocracias internas, não vou falar aqui sobre qualquer conteúdo tratado no evento, nomes de pessoas, assim como datas, horários, informações financeiras e semelhantes. Trataremos apenas dos aspectos técnicos que podem ser interesse da comunidade do áudio, com finalidade exclusiva de troca de conhecimentos da área.

Eu, representando a Equalize Sonorização, fui chamado aqui para montar um sistema de Split. Trocando em miúdos: enviar o áudio gerado na sala para a imprensa, que gravaria o conteúdo para usar em suas programações.

EQUIPAMENTO “DA CASA”

Bom, vamos começar pelo equipamento “da casa”. Possui um singelo mixer Behringer, um equalizador gráfico, amplificador de potência, microfones sem fio e transdutores. Dá para ver que é bem simples, mas tudo bem, pois é apenas para uso interno na sala, ou seja, para audição dos jornalistas.

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Logo de cara, precisei dar uma boa ajustada no equalizador gráfico. Os faders estavam praticamente todos em -12dB. Muito provavelmente foi uma configuração feita ao passar dos meses, sempre que o responsável tirava a poeira do equipamento. Como de costume, “fletei” tudo, simulei um HPF, e alterei algumas frequências de ouvido, utilizando o microfone do local como referência.

As caixas do local são daquelas embutidas no forro de gesso, espalhadas por todo o ambiente. Isso o pessoal daqui não abre mão, por estética. Perguntei se podia trazer minhas próprias caixas, no tripé, mas foi negado.

Esse tipo de instalação é um pouco perigosa, pois a projeção sonora é exatamente sobre a área de captação dos microfones, quando utilizados na mão do interlocutor. Solução: trabalhar em volume mais baixo, realmente só o necessário para que todos escutem com clareza. O ambiente silencioso ajuda bastante, é claro. Nesse tipo de sistema, além da vantagem estética, é importante citar que, se bem distribuídas, as caixas geram um som realmente bem homogêneo, muito confortável em todos os pontos da sala.

O grande ponto fraco do sistema é a console. Não pela marca, mas pela pequena quantidade de saídas. Para mim foi solicitado um sistema que pudesse enviar áudio para 10 emissoras de TV, tudo com conexão XLR e controle de volume.

SOLUÇÃO UTILIZADA

Para encarar o evento, optei por trazer uma console Yamaha O1V96. O motivo é simples: tinha a quantidade de saídas necessárias, além de ser pequena e leve. Obviamente, para ter acesso às 10 conexões XLR necessárias, precisei utilizar também um conversor ADDA externo, no caso, o guerreiro Behringer ADA8000.

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Minha ideia, para obter os 10 conectores XLR, foi utilizar as 8 saídas do ADA8000 + as saídas LR da console.

Dica prática: Como eu utilizaria apenas as saídas do ADA8000, utilizei somente um dos cabos óticos que estavam no case; deixando assim o outro como standby. Se desse problema, o outro estava na mão para substituir! Muita gente não sabe, mas dos 2 cabos óticos utilizados nos conversores ADDA, um é para as entradas, e outro é para as saídas.

Quanto aos microfones, preferi levar os nossos, por não conhecer os que eram do auditório, e não saber o estado de conservação dos mesmos. Optei por um Sennheiser ew100 G2 para uso principal, um AKG SR40 para perguntas dos jornalistas, e um AKG SR40 como standby.

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Fora isso, trouxemos apenas os cabeamentos, central de AC, pilhas e a caixa de ferramentas, que nem foi utilizada.

COMO LIGAR TUDO

  • Os microfones sem fio foram conectados aos prés da O1V96. Processei apenas com um HPF em 125Hz.
  • Para levar o áudio da O1V96 para a mesa do auditório (a fim de reproduzir o conteúdo nas caixas do local), utilizei a saída Auxiliar 1, em uma porta OMNI OUT da console; e com um cabo P10 comum, entrei no Line In de um canal da mesa do auditório. Não processei em nada esse sinal, pois logo após esse áudio passaria pelo equalizador gráfico que regulei anteriormente.
  • Para conectar as câmeras, deixei disponível as 8 portas do ADA8000 + o LR da console. Nos Patches, configurei para que utilizassem dos auxiliares 2 a 8, de forma que duas das câmeras teriam a mixagem conjugada. Na prática, sei que isso não seria problema, pois a programação do evento é bem simples.Ficou assim:
    • ADAT 1 – Auxiliar 2
    • ADAT 2 – Auxiliar 2
    • ADAT 3 – Auxiliar 3
    • ADAT 4 – Auxiliar 4
    • ADAT 5 – Auxiliar 5
    • ADAT 6 – Auxiliar 6
    • ADAT 7 – Auxiliar 7
    • ADAT 8 – Auxiliar 8

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CONCLUSÃO

A programação é simples e rápida. Deu tudo certo e não tivemos problema.

Na hora dos testes com as câmeras, identifiquei o cabo de cada emissora, para saber onde mexer caso alguém pedisse alguma coisa. Só foi necessário fazer alguns ajustes finos de volume, mas nenhuma alteração durante o evento. Do jeito que começou, foi até o final.

Espero que esse artigo ajude no estudo e crescimento dos leitores. Espero também que compartilhem comigo de mais essa conquista profissional. É um evento de fato simples, envolvendo poucos equipamentos, mas de grande importância e responsabilidade.

Até a próxima!

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