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Discos 78 RPM


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Descrição: Tudo sobre discos e toca-discos da era pré-vinil
Categoria: Hi-Fi  ::  Tipo: Perguntas e respostas
Data: Qua 10 Nov 10 10:51  ::  Visitas 2836
Palavras-chave: 78 rpm, toca-discos, disco


De: deltasigma§uol.com.br
Data: 21/10/04 02:30
Assunto: [Audio List] Toca Discos para 78 rpm...

Olá Pessoal,

Gostaria de colocar aqui meu problema, levando em consideração a necessidade de transcrever discos de 78 rpm. Atualmente, não vivo deste trabalho, o que tem um lado bom e um ruim. Não tenho pressa em terminar o trabalho, mas tambem não tenho rios de dinheiro para dispender nisso.  Smile  Desta forma, idéias que contemplem um baixo investimento, sem com isso estragar (muito) a qualidade do trabalho são muito bem vindas.

    1) Possuo um toca discos garrard (do meu pai... hehehehehe, sou bem mais novo do que isto!!!) mas ele está bem ruinzinho. Parece que falta força para rodar o disco. Acho que o problema está na maldita polia de borracha, que está bem gasta e ressecada. Poderia esta ser a origem da "falta de força"?

    2) O toca-discos Gradiente RP-II velocidade de 78 rotações? Ele possui pitch? Esta segunda pergunta está relacionada a informação tambem descoberta na FAQ (msg do Luiz Fernando Otero Cysne) que transcrevo abaixo:

Citação:
Quanto à reprodução dos 78s, não basta usar qualquer tipo de reprodutor com velocidade 78 RPM. Dependendo de quando foram feitos, os "78s" rpm podem ter sido "cortados" com qualquer velocidade entre 71,29 rpm (Berliner, Zonophone, Victor e outros) até 82 rpm (Emerson, Brunswick, Okeh e outros). O que significa que velocidade constantemente variável de 60 a 90 rpm e/ou 6 ou 7 velocidades com ajuste de mais ou menos 15% é requisito indispensável no toca-discos.


Voces poderiam informar um toca discos que possa satisfazer esse requisito? O RPII seria viável?

    3) Uma outra informação que o mesmo autor destaca é que neste discos podem existir diversas curvas de equalização além da RIAA, de acordo com o fabricante. Gostaria de sugestões de prés que possuam esta possibilidade de selecionar diferentes equalizações.

Bom, creio que por hora é isso!  Smile

Abração a todos, ja agradecendo pela eventual ajuda.

Fabio
Amparo (SP)




De: walter_ullmann§hotmail.com
Data: 21/10/04 13:44

Fabio Franco Costa escreveu:
Poderia esta ser a origem da "falta de força"?


Bidu ! Dica: Casa das Correias na Sta Ifigênia devem ter a polia.

Citação:
Gostaria de sugestões de prés que possuam esta possibilidade de selecionar diferentes equalizações.


Prepare-se para chorar! No caso de discos de 78 não existe padrão, tipo curva RIAA etc. Dica pratica para contornar o problema do pre e da capsula:

Defina a capsula, e ao inves de conecta-la a um pre de phono (eq RIAA) ligue-a direto em um BOM pre de microfone, e dele mande o sinal para a placa do micro ou sei la o que. Depois de gravar o material SEM EQUALIZAÇÃO direto da capsula, com o SoundForge ou algo parecido va criando as curvas de equalização de OUVIDO (não tem jeito) e grave cada uma delas conforme a gravadora, etc etc...

(Obs : essa ideia não é minha, nem original !)

Vai dar trabalho, no inicio, depois fica baba ...

Quanto ao RP II, ele ja nao tinha 78 RPM.

Abs
Walter Ullmann




De: Edu Silva bahi0387§terra.com.br
Data: 23/10/04 10:15

Oi

Fabio Franco Costa escreveu:
... Parece que falta força para rodar o disco...


Verifique também o motor, pode precisar de lubrificação. Aliás, com certeza precisa de lubrificação...  Mas qual a marca e modelo? Se tiver tração à polia (tenho quase certeza que sim) terá os mesmos problemas com ruido que um outro colega relatou há pouco.

Citação:
poderiam informar um toca discos que possa satisfazer esse requisito?


Tá dificil. Não basta funcionar em 78 rotações, como já sabe. Vai precisar cobrir pelo menos de 72 a 82 rpm, pois na época, existiam diversos padrões. Apenas toca-discos especificos para o trabalho, ou raras unidades da época suportam essa gama, e todos não muito baratos:

http://www.78rpm.com/merchant2/merchant.mvc?Scr...Category_Code=100

A sugestão já dada por mim noutra ocasião é transcrever com um TD 78 RPM padrão, e ajustar o pitch exato no Sound Forge. Se você tiver acesso a uma partitura da peça gravada, será fácil saber o tom original, fazendo assim a correção. Existm outras maneiras menos "exatas" mas que funcionam.

O controle de pitch presente na maioria dos toca-discos comuns não ajuda muito, a gama de ajuste é estreita demais (cerca de +- 2 ou 3%). Alguns, entretanto trabalham com 78 rpm e permitem correções bem maiores, como o Gemini PDT6000, já fora de linha. Veja outros:

http://www.needledoctor.com/s.nl/sc.2/category.42/.f

Há uns poucos no mercado nacional:

Toca-discos GEMNI - 78 RPM


toca-disco


Cique na foto para ver o preço e comprar online - frete grátis para o sudeste do Brasil!

Ideal para transcrições! Roda em 78 RPM com pitch +/- 10% ou 20%. Capaz de atingir desde 62,4 RPM ate´93,6 RPM.

# Toca-discos direct drive
# Motor controlado por sistema magnético e 5 kgf de torque
# Pitch variável +/- 10% ou 20%
# 33/45/78 RPM
# Luminária embutida
# Botão start/stop com alta precisão
# Construído em alumínio
# Torre do braço ajustável


Por outro lado, é possivel adaptar um TD de 33/45 rpm para aceitar outras velocidades, seja por meios mecânicos (nos belt-drive, com um novo eixo) ou eletrônicos (nos direct-drive, alterando oo circuito). Mas não é coisa que você possa fazer, precisaria de um profissional com experiência nesse trabalho (não estou disponível no momento...).

E vai precisar também de agulha específica para esses discos, não é qualquer uma que serve. Por exemplo a Shure N78S, de aquisição relativamente fácil.

http://www.needledoctor.com/s.nl/sc.7/category.72/it.A/id.669/.f

2.5 Mil Spherical Diamond Stylus, 1.5 - 3 Tracking Force Range



Existem outras, inclusive para aparelhos antigos:

http://www.needledoctor.com/Brand-Stores/Replac...?search=78+stylus

Citação:
... Gostaria de sugestões de prés que possuam esta possibilidade de selecionar diferentes equalizações.


Vale o mesmo do parágrafo acima: use um pré RIAA comum e faça o ajuste fino da equalização depois, as diferenças não são muito grandes. Se o disco tiver a informação sobre a equalização (Decca, FFRR, Westrex, Blumein, BSI...) na contracapa ou selo, seu trabalho será facilitado.

Exemplos das principais (mas não únicas...) curvas adotadas na época:


SYSTEM    Treble    Bass      Lower bass  Cut at   Boost at
          turnover  turnover  turnover    10 kHz   50 hz

DECCA 78  3.4 kHz   150 Hz    -           9 dB     11 dB

ffrr 78   6.36 kHz  300 Hz    40 Hz       5 dB     13 dB

WESTREX   flat      200 Hz *  -           -        15 db

BLUMLEIN  flat      250 Hz    50 Hz       -        12 dB

BSI 78    3.18 kHz  353 Hz    50 hz       10.5 dB  14 dB


       * 200 Hz era a especificação original, mas certas fontes citam 300 Hz, ou mesno 500 Hz.


Legenda:




Para o colecionador ou historiador, existem no mercado preamps universais com as divarsas curvas, que podem ser importados para o trabalho. Também é possivel modificar um pre RIAA para simular outras curvas, mas vale o mesmo já dito sobre as alterações nos toca-discos.

Para a confraria do ferro de soldar:

http://sound.westhost.com/project91.htm

E como nunca me esqueço de lembrar, limpe bem o disco e agulha, antes da transcrição. no caso dos 78, um aviso importante: as soluções de limpeza de vinil que contem álcool jamais devem ser utilizadas para limpar os 78, em shellac!!  Não sendo de vinil, outras soluções devem ser preferidas.

Mais info sobre os 78 RPM:

http://arquivos.audiolist.org/down_db.php?page=get_file&id=64

abraços,
Edu Silva




De: vjmllmjv§hotmail.com
Data: 26/10/04 10:18

Eu faço a captação em 45 Rpm e depois uso as opções de alteração de velocidade do Diamond Cut. Uso um Polyvox TD800 e um pré com equalização RIAA. No Diamond Cut também existem várias opções de equalização para 78.

O problema que enfrento é o ruído residual que fica após a retirada dos clicks. Mesmo usando um noise reduction (Sound Forge ou Diamond Cut) aquele raspado da agulha na superfície dura do 78 é muito dificil de eliminar sem que se altere o padrão dos sons dos instrumentos. Se alguem tiver alguma dica...

Victor Lima




De: Edu Silva bahi0387§terra.com.br
Data: 27/10/04 08:23

Oi gente

Citação:
Eu faço a captação em 45 Rpm e depois uso as opções de alteração de velocidade do Diamond Cut.


Precisa alterar não apenas a velocidade, mas a curva de equalização também. Veja neste artigo, como utilizar o computador para esta tarefa:

http://www.rfwilmut.clara.net/repro78/computer.html

Citação:
Uso um Polyvox TD800 e um pré com equalização RIAA.


Pense em algo melhor, esse toca-discos é muito barulhento (rumble).

Citação:
O problema que enfrento é o ruído residual que fica após a retirada dos clicks.


Vem do próprio toca-discos (o rumble citado), ou pelo uso de uma agulha inadequada. Discos de 78 RPM precisam ser reproduzidos por agulhas específicas.

--
Edu Silva




De: vjmllmjv§hotmail.com
Data: 27/10/04 13:10

Pensar a gente pensa, ma$...

Um teste fácil é gravar apenas o TD rodando sem disco e verificar o ruído que está sendo gerado. No meu caso, o zumbido (hum) é muito pequeno, um pouco de 60 HZ que tiro no DIAMOND CUT com um filtro de 3 passes 60/120/180 HZ, é diferente daquela raspação de agulha no disco.

A limpeza eu faço com a popular lavagem em água da bica com detergente de lavar pratos. Secagem com fraldas bem macias.

Talvez um TD mais apropriado melhore o trabalho mas tenho ouvido alguns LPs que tem gravações restauradas de 78 e o resultado não me parece muito longe de onde tenho conseguido chegar com meu equipamento baixa-renda.

Abraços
Victor Lima




De: walter_ullmann§hotmail.com
Data: 28/10/04 08:58

O ruido mecanico mesmo, como o Edu disse.

As curvas de equalização tem outras funções e caracteristicas, entre elas permitir gravar-se os graves sem o sulco abrir excessivamente, corrigir agudos etc...  O problema com os 78 rpm é que cada gravadora usava um padrão diferente e por vezes até mesmo rotações ligeiramente distintas, tipo 77.5 RPM, 79 RPM etc.  Isso foi MUITO antes de se adotar as curvas RIAA para discos e as NAB para gravadores.

Abs
Walter



Nova série de mensagens


De: "ralizeiro" <Ralizeiro§y...
Data: 12/02/02
Assunto: [Audio List] 45 * 73,5% = 33 Rpm

Estou com um dilema e por isso peço a opinião dos companheiros:

Estou para pegar um trabalho muito grande de restauração de vinil em 78 Rpm, mas meu toca vinil é uma Technics SL1700 Mk2 e só tem 33 e 45 Rpm, e não conheço ninguém que tenha um toca vinil com 78 rpm.

Então liguei minhas válvulas cerebrais e fui fazer contas, chegando na seguinte possibilidade. Se um disco tem 78 Rpm, então ele é 73,5% mais rápido que um de 45 Rpm. Pensei então em digitalizar o disco em 45 Rpm, e depois dar um Time Strech com esse valor de 73,5% o que daria 33 Rpm a mais. ou seja:

45 * 73,5% = 33 Rpm
33 Rpm + 45 Rpm = 78 Rpm

Mas sinceramente, será que vai funcionar? Não sei porque tenho a intuição de que não vai, e que o audio pode ficar parecendo uma conversa de marcianos....

Gustavo Luís - Brasília




De: "Branca DJ" <brancadj§...>
Data: Sex, 8 de Fev de 2002 1:33 pm

Boa Tarde a todos,

Olá Gustavo Luiz (Ralizeiro) na minha opinião e acho que possivelmente a de muitos aqui da lista, se o trabalho é tão grande ou seja, horas de trabalho cuidadoso e que exige paciência, dedicação além de um bom microcomputador com vários plugins e de restauração ou hardware dedicado para tal.

Você não vai se descuidar logo do seu Toca-Discos (que por sinal é ou pode ser o elo mais fraco de seu sistema devido a vários fatores como por ex. tipo de agulha, cápsula magnética, qualidade e estado dos Discos a serem restaurados.), apesar do Technics ser um dos melhores Toca-Discos do mundo e esse seu ser uma raridade um SL 1700 MK2 eu te aconselho a vende-lo e a comprar um Denon DP-DJ 150 ou o novo Denon DP-DJ 151 pois qualquer um destes Toca-Discos da Denon são uma mão na roda e a bola da vez quando se fala em restauração de vinil.

Pois além de ser dupla voltagem (coisa que a Technics não é) 110/220 Volts selecionavel;
chave de ajuste p/ rotação 33, 45 e 78 rpm!!!;
SAÍDA digital para CDR, DAT, MD ou PC;
Chaveamento de saída nível de linha ou phono (você não precisara de um pré especifico para toca-discos ou seja pode ser ligado direto a entrada para aux. ou line de qualquer aparelho);
Direct drive, a quartzo, com precisão de partida de 2,2 Kgfcm!;
Luz para iluminar o disco;
vários ajuste no braço para melhorar o angulo de leitura do disco e assim a qualidade sonora;
controle deslizante de velocidade pitch control + e - 12%;
ajuste do peso do braço sobre a capsula além do sistema antiskating.

Gustavo eu tenho um par de Technics SL1200 MKII e também vou ter de desembolsar uma graninha e comprar um desses Denon pois também estou com vários trabalhos de restauração de Vinil e muitos em 78 rpm também.

* Ps.: acho que a qualidade final do seu trabalho (sem contar as dores de cabeça evitadas) e a relação custo beneficio da aquisição deste Toca Discos Denon para suas restaurações vai ser bem melhor do que tentar digitalizar o disco em 45 rpm e depois dar um time strech de 73,5%. E no fim veja se vale a pena este investimento ex. quantidade de restaurações, duração das mesmas pois se for para se trabalhar sempre tudo bem mais se suas restaurações forem um trabalho de 1 a dois meses e depois nunca mais não vale a pena.

Um abraço
Wilson ( DJ Branca )

4 Sound Design Studio




De: "KVG Audio" <kvgaudio§...>
Data: Sex, 8 de Fev de 2002 3:11 pm

Branca DJ escreveu:
Pois além de ser dupla voltagem (coisa que a Technics não é) 110/220Volts selecionavel;


De onde você tirou que a Technics 1200MK2 não é 110 /220v selecionável?  Mad

Dependendo do modelo, a mesma pode ter as duas. Caso voce não saiba ela sempre foi fabricada com estas opções: 110v, 220v ou 110/220v. Eu estou levando em conta a MK2 feita antes da retomada da produção, pois as modernas não são lá essas coisas. Mas de qualquer modo, se você der uma olhada no trafo do seu, provavelmente encontrará o segundo enrolamento do primário e gastar um pouquinho de tempo para fazer a ligação em uma chave seletora e esta terá um lugar garantido no ponto que sempre foi colocada originalmente

Um outro detalhe de nada adianta ter o melhor toca-discos do mundo e usar um conjunto cápsula/agulha qualquer.

Dificilmente um Denon superaria alguns toca-discos high end existentes lá fora. É só dar uma breve olhada em sites e revistas (realmente) especializadas e com certeza voce não verá nem Technics e nem Denon como os indicados para esse caso.

A Denon é uma marca muito conceituada, mas peca em usar alguns componentes com fadiga precoce. Um conhecido meu se arrepende até hoje ao ter trocado os seus Quad por Denon, e não foram os da linha popular.

Gostando ou não, há uma grande diferença entre os toca-discos para se trabalhar como DJ e os que são de altíssimo nível. Estes últimos jamais foram feitos para as condições adversas e abusivas que são submetidas as MKs e clones. Eles são feitos para reproduzir fielmente o que está  gravado e com baixíssima interferência de sua parte mecânica.

Fora que é aconselhável usar um toca-discos e conjunto cápsula/agulha específicos para os 78 RPM.

KVG




De: "Branca DJ" <brancadj§...>
Data: Ter, 12 de Fev de 2002 3:36 am

Bom dia a todos, prezado KVG sei tudo isso, Technics SL 1200 MKII U.S.A. 110v, Technics SL 1.200 MKII U.S.A. revisão(determinada série difícil hoje em dia de vir para o Brasil) 110/220v selecionável e as pretas SL 1.210 MKII UK 220v que nada mais são do que um clone da prata em acabamento preto para o mercado europeu só disponível em 220v até ha algum tempo.

O custo de um ótimo Toca-discos tipo Ortofon (é eles fazem toca-discos também) ou Rega Planar ou Thorens são extremamente caros e a relação custo beneficio onde também se leva em conta os aparelhos onde esse mesmo Toca-Discos será ligado além é claro do tipo, marca e modelo de cápsula e agulha instalados.

Algum de vocês já viram e ouviram uma Technics SL 1.200 MKII tocando um disco com cápsula e agulha Ortofon Gold? E se quiserem fidelidade podem optar pela Moving Coil MC 5.000 Ortofon uma cápsula e uma agulha (R$ 1.600,00) sendo que uma cápsula e agulha Ortofon Gold custa R$ 390,00, ou seja 4x mais. E na minha singela opinião é melhor ter um Toca-Discos razoável com boa cápsula e agulha e ótimos plugins (Waves Restoration X, Algorithmix Sound Laundry, Dart Pro 9Cool, ótima placa de áudio 24bits e com bons conversores (MOTU, Echo, Digidesign, Digi 001) e um bom software (Pro Tools, Nuendo, Sonar, Vegas, Digital Performer ou Logic Audio), pois apesar dos Toca-Discos para mim ser como meus irmãos (ilustrativamente falando) ou extensões dos meus dedos, mesmo que pegarmos um dos melhores do mundo com ex. o Rega Planar do meu vizinho e amigo (U$ 3.000,00) e colocarmos um dos melhores conjunto cápsula e agulha a Ortofon Moving Coil (U$ 620,00) esse mesmo Toca-Discos se compara ao seu setup de equipamentos em seu Home estúdio ou estúdio de médio ou grande porte sempre será o de menor qualidade e fidelidade (na atual conjuntura da era digital com muitos investimentos e dos seus 44.1KHz- 48KHz - 96KHz,  24Bits, vários canais, HDs de 7.200 rpm, 10.000 e 15.000 rpm e os GB para arquivar)Bem e ficar falando tanto de um Toca-Discos inventado na época que pelo menos eu ainda não mexia com som 1968 a 1977 e que está fora de linha já faz um bom tempo quase 7 anos tirando essa produção nova feita pela Panasonic SL 1.200 M3D e SL 1.200 MKII new.

Resumindo, hoje estamos mais na era custo/beneficio e não em gastar + de R$ 5.000,00 em um Toca-Discos mesmo que seja específico para reprodução e transcrições pois com essa moda febre de vinil (liderada por alguns puristas, saudosistas e pelo cantor Ed Motta) quem gosta vai comprar seu Quad, Garrard, Torens, Ortofon, Rega Planar e até os Gradiente DD1 e os Technics, Denon e Numark da vida mais a verdade é com essa história de CDR, CDR-W, HDCD, DVD Áudio, DVD-R e suas variações (briga de padrão) RW R+W, além de hoje um DVD está praticamente mais barato que um CD em certos casos. Eu acho que se o estúdio faz trabalhos de restauração com muita freqüência ou só faz isso, ai sim um Toca-Discos High End ou especifico para audição/transcrição se faz necessário mais do contrário acho que qualquer um destes Toca-Discos Direct drive a quartzo Denon, Technics, Numark ou Gradiente em Boas condições servirá desde que esteja com uma boa cápsula e agulha.

Um abraço
Wilson ( DJ Branca )




De: "Nestor Natividade" <somperfeito§...>
Data: Sáb, 9 de Fev de 2002 6:20 am
 
Olá Wilson

Ambos TT que citou são produtos OEM da PANASONIC e colocados no mercado com o nome DENON e, para todos os efeitos, item por item, equivalem ao TECHNICS SL-1200 MKIII.  Assim como o 1700, o SL-1200 nasceu dentro e para o mercado doméstico e os modelos que deles derivam são e sempre serão produtos domésticos alimentados a esteróides e anabolizantes, absolutamente perfeitos quando não se exige qualquer qualidade na restituição mas sim resistência ao uso destrutivo a que sào habitualmente submetidos pelos DJs de hoje.

Um DENON de boa cepa, como você está cansado de saber, não usa motores DC como aqueles usados nos modelos citados, e sim 'non-cogging AC motors', exatamente como no ainda fabricado DENON DF-47, um produto um nível acima do que comumente é oferecido no mercado, embora muito distante de um DP-1000A de ainda ontem.

Apesar de muito superiores em performance, o torque dos motores DD do tipo AC é menor que aquele dos seus eqüivalentes DC (exatamente por isso que os DJs não os usam), mas, todavia, ambos modelos de TT que citou estão muito longe de fornecerem o Momento de Inércia ideal de 50.0 Toneledas.cm2, que é o mínimo aceitável para um trabalho realmente sério de transcrição (porque a dinâmica do sinal restituído passa a equivaler aquela da fita Master original).

Assim, meia-boca por meia-boca, melhor ficará o 'companheiro' Gustavo em utilizar o seu atual DD e, isto sim, investir corretamente em uma base para o mesmo + cápsulas de diversos tipos e agulhas idem + um pré de fono realmente de qualidade + conversores A/D, tudo perfeitamente adequado ao serviço a que se propôs.

Abraços
Nestor
SOMPERFEITO




De: "Branca DJ" <brancadj§...>
Data: Ter, 12 de Fev de 2002 2:10 am

Olá prezado e admirado Nestor Natividade. Concordo com quase tudo o que você disse, principalmente em investir em um bom pré de phono + cápsulas e agulhas de qualidade + conversores A/D adequados ao serviço proposto. Bem, em resumo, também só tive a intenção de informar ao nosso companheiro Ralizeiro a possibilidade de se utilizar um Toca-Discos direct drive(tudo bem que é OEM, pois quando monto micros PC utilizo quase ou tudo OEM pois é mais barato) que já possui rotação 78 rpm (que era seu principal problema e coincidentemente meu também) que não precisa de pré para phono pois além de ter as conexões tradicionais (saída RCA que necessita de um bom pré de phono) tem saída de linha e saída digital com conversor (tudo bem não é um A/D classe A mais por ser Denon deve ser igual ou melhor que uma Sound Blaster) e quanto ao torque eu achei o mesmo estupendo e a qualidade sonora uma maravilha em termos de toca-discos já que o mesmo vem sem cápsula e agulha em sua embalagem o de demonstração estava equipado com cápsula e agulha Ortofon Gold!

Até ai tudo bem, mas não sei porque cargas d'água todo (ou quase todo) mundo acha que todos os DJs são iguais ou o pior que o que eles fazem além de tocar discos é destruir os Toca-Discos ou manuseá-los de maneira destrutiva e também como diz nosso querido Ed Motta acha que os discos são riscados na hora do famigerado efeito de scratshe o que não é verdade o que acontece é apenas um desgaste prematuro da agulha e do sulco do disco (vinil). Eu acho que o que falta é informação a respeito de nosso trabalho e a real importância do profissional DJ, que fica em geral das 9:45 as 6:00 hs de Quinta a Sábado em pé, tentando adivinhar o que aqueles que estão na pista de dança querem dançar (pois não ha uma seqüência pré determinada, na verdade somos psicólogos musicais) fazendo musica desconhecida ou nova ser conhecida ou virar sucesso e os sucessos ganharem prêmios e reconhecimento. Ainda sofremos dos mesmos males que muitos técnicos, músicos e artistas do tipo efeitos nocivos decorrentes de exposição prolongada ao som (problemas auditivos), as luzes (fotofobia) e respiratórios (maquinas de fumaça ou neblina cênica) além dos preconceitos e achismos e é por isso que bons DJs ou DJs que toquem(discotequem) de tudo e em qualquer tipo de festa não existe mais ou são poucos talvez uns 10 ou 20 de 2.000 só aqui na cidade de São Paulo (se formos contar em outras cidades no estado e no Brasil!).

E quanto ao Technics SL 1.200 MKII ou SL 1.210 MKII, me mostre na prática um Toca-Discos melhor, que a base inferior seja de polietileno rígido com cobertura de borracha (retirável);
base superior de alumínio; pés telescópicos;
torque 1,5Kg/cm, stop start 0,2s;
controle de pitch deslizante de +e- 8% (isso independente da rotação que se está 33¹/² ou 45 rpm);
luz stroboscópica para certeza de rotação (para uma visualização correta e fiel);
luz para iluminar os sulcos dos discos;
direct drive a quartzo e onde o prato do Toca-Discos é o motor.

E como o meu par tem dois sistemas de cápsulas e agulhas sendo um conjunto Stanton Groove Master SKII para discotecar e alugar (por sua durabilidade e performance nos efeitos e scratshes) e um par conjunto de Ortofon Gold (para audição e possíveis transcrições por sua alta qualidade e fidelidade).

Quanto ao som, um amigo e vizinho meu português tem um Toca-Discos Rega Planar de U$ 3.000 com cápsula e agulha Moving Coil Ortofon MC 5000 U$ 620,00 em resumo ligado no som dele com pré lexicon e power Jeff Rowland com caixas B&W e Kell a diferença entre o meu toca-discos e o dele é grande mais não absurda agora ligado em um PC largado aqui em casa com placa Sound Blaster e nos meus sistemas de som para eventos:

sistema 1 mixer DJ DX 1.000 Behringer,
crossover de 3 vias behringer CX 3.400;
compressor Behringer composer;
EQ DSP 8024 Behringer e potências Studio R;
sistema 2 mixer DJ DJM600 Pioneer;
crossover BSS;
compressor DBX;
EQ DSP 8024 berhinger e potências TIP Ciclotron todos os dois sistemas com caixas projeto Selenium executado pela Leac's com falantes e drivers Selenium

não ha diferença de som no toca-discos apenas um pouco mais de grave, brilho nos agudos e volume para o Rega Planar lembrando que o mesmo está com cápsula e agulha de R$ 1.600,00 o que é quase o preço de um Technics SL 1.200 MKII novo!

Wilson ( DJ Branca )
4 Sound Design Studio




De: "Nestor Natividade" <somperfeito§...>
Data: Qui, 14 de Fev de 2002 12:24 pm

Prezados Gustavo e Wilson

Agradeço e muito o fato de ter respondido ao meu correio e de permitir a extensão da discussão deste assunto que, pelo andar da carruagem, veio para ficar.  A transcrição entre formatos evolui rapidamente 'lá fora' e mais e mais ela se afirma como uma atividade especializada.

Primeiro, não custa reafirmar mais uma vez que a visão daqueles que habitam o mundinho do audiófilo, relativamente ao atual papel dos DJs, é de que estes últimos, na verdade, são músicos que expressam sua criatividade por meio de instrumentos totalmente fora do contexto da visão tradicional do que seja 'um instrumento musical'.  Este modo de 'ver' o seu trabalho, Wilson, eu o aprendi com os europeus que me ensinaram, não somente a respeitar a maneira desses profissionais expressarem sua música, mas também a dedicação e o afinco com que perseguem a contínua melhoria da própria atividade.

Todavia, embora importante como meio de expressão de cultura, o equipamento para 'discotecar' é específico dessa atividade, não se prestando (sem antes muitas adaptações) às demais vivências dentro do Áudio.  O que não é novidade alguma, pois aquilo que serve ao audiófilo, não faz sentido dentro dos universos do broadcast, do P.A.zeiro, etc..  Resumindo em poucas palavras, 'cada macaco no seu galho'.

Agora, especificamente sobre a transcrição entre formatos.

Na contra-corrente do pensamento 'padrão' atualmente em voga entre profissionais que se dedicam a esta atividade, afirmo que primeiro, repito, primeiro, se deve dar atenção à fonte do sinal que posteriormente será processado e que, depois, num segundo plano, deve vir a preocupação de como se processar o sinal armazenado.  Finalmente, mas não por último, entendo que quanto menor for este processamento do sinal, mais próximo se estará do ideal em termos de respeito a aquele que originalmente gravou a obra musical.  Afirmo mais até, que este respeito ao artista e aos profissionais que no passado registraram as obras musicais deve ser a regra primeira, o norte, de todo restaurador.  Assim sendo, como logo descobrirá todo aquele que se iniciar neste mister, cada disco, fita ou cilindro é um caso único e como tal, pode necessitar de um equipamento (hard & soft) diferente ou específico.

É uma maneira de se trabalhar exatamente análoga ao fotógrafo profissional: lentes e mais lentes, mais corpos de máquina e acessórios diversos e muitos, todos eles fundamentais para que ele livremente possa exercer sua atividade com criatividade.

Como exemplo local de qualidade e respeito à ética no processo de transcrição, mais de uma vez ouvi elogios de restauradores estrangeiros relativamente a um ou outro trabalho publicado pelo selo nacional Revivendo. Sobre este mesmo selo, se observar o todo do seu catálogo, sua qualidade, no que se refere à transcrição, é variável com alguns altos e muitos baixos realmente baixos, incluso erros elementares de equalização o que faz pensar que o selo - eventualmente - experimenta o 'serviço' de diferentes profissionais, nem todos oferecendo um mínimo de qualidade técnica ou experiência.

Ao restaurador cabe, dentro da visão de se privelegiar a fonte do sinal, utilizar:

  • toca-discos específicos para discos vinílicos (7, 10 e 12 polegadas) e shellacs (rotações em torno dos 78rpm), repousando em bases sísmicas autoconstruídas;

  • 'braços específicos para os diferentes formatos, incluso tamanhos para discos de 12 e 16", cada um deles ajustado para a menor distorção e desgaste para os diferentes diâmetros de discos;

  • cápsulas fonocaptoras variando desde as General Electric VR-I e VR-II (que necessitam de longos braços Gray e equalização específica - se se deseja qualidade trilhando a 10.0 grs., o peso correto para shellacs quebrados onde, para cada faixa, uma agulha de diamante !), até produtos modernos como as, por exemplo, Audio-Technicas AT-12 (discos 4-ch) e 440ML (para vinílicos absolutamente perfeitos), Shure M44 e Stantons 500 (ambas para 78rpm anos 40 e 50, e sempre usando agulhas elípticas truncadas custom-made em diferentes tamanhos para se recuperar o sinal da parte do sulco ainda 'virgem'), Stantons 681 e 890 (vinílicos antigos e modernos em ótimo estado).  Entre formatos e tamanhos diversos, somente para shellacs, é usual o profissional trabalhar com um universo de opções de cerca de atá trinta diferentes agulhas.  Não conheço alguém, aqui ou 'lá fora', que utilze no restauro de discos shellac ou vinílicos, cápsulas moving-coil, embora reconheça de pronto os méritos e deméritos do produto.

  • interconexões de qualidade, mais fontes de alimentação específicas para os toca-discos DC DD e AC sincrônicos, mais alimentação à bateria para o pré de fono, amplificador para fones de ouvido e toca-discos belt-drive DC.

  • um pré de phono estereofônico de qualidade estelar que possua três características específicas:

    1. capacitância e resistências de carga variáveis para as diferentes cápsulas;

    2. facilidades para se mimetizar as mais de 30 diferentes curvas de playback necessárias para que corretamente se reproduza o material original.  No comércio, aqui ou 'lá fora', tal produto não existe à venda, do que resulta que o restaurador novamente necessitará autofabricar algo específico.  Dentro da opção 'meia-boca' é usual se ver utilizar equalizadores paramétricos ou de terço-de-oitava para mimetizar a curva necessária.  O resultado de tal ação é sempre variável e fortemente dependente do quanto de experiência anterior tem o restaurador;

    3. chaveamento após a amplificação/equalização para que se possa optar entre os lados direito ou esquerdo do sulco, e/ou trabalhar com discos shellac de modulaçào lateral e vertical;


Como vê, pondo-se de lado as habituais dificuldades de se autoconstruir com qualidade, precisão e custo razoáveis, todo o material varia desde o custo simbólico (cápsulas e braços antigos) até aquele de consumo constante (agulhas custom-made, cerca de US$90. F.O.B., cada uma) não há nada que se compare aos custos dos fonocaptores MC BENZ, LYRA, KOETSU, TRANSFIGURATION, e outros similares com nomes com custos na faixa dos quatro e cinco algarismos, produtos estes tão longe da nossa realidade quanto os braços que necessitam, todavia comumente encontrados aos múltiplos no set-up de qualquer audiófilo hardcore.

Assim, embora ainda 'exótico', o material básico para o restarador não custa exatamente "caro" embora, reconheço, exija paciência de Jó para garimpá-lo entre usados bem para corretamente aprender a manter/usar materiais de uso não mais corrente.

Sobre os SL-1200 MKII e MKIII.

Sim, eles são utilizados no serviço de restauro, oferecendo o habitual resultado de um serviço 'meia-boca'.  O melhor destes toca-discos, por incrível que pareça, é o dispositivo para se regular em tempo real o VTA/SRA da 'agulha' da cápsula, algo inestimável e que economiza muito tempo e paciência no ajuste destes parâmetros da 'agulha' de playback relativamente ao ângulo de corte da matriz que originou o disco em restauro no momento. Estes dispositivos não são comuns e, quando encontrados, por exemplo custam uma pequena fortuna para os meus FIDELITY RESEARCH. Se o restaurador insiste em usar toca-discos bem simples e de estoque, em vez daqueles auto-construídos ou especificamente modificados, que opte pelos AC DD (DENON DP-47F) ou aqueles DC especificamente destinados ao broadcast (TECHNICS SL-10 / MKII / MKIII ou SL-15).

Sobre toca-discos fabricados no Brasil.

O melhor produto jamais fabricado aqui foi um GRADIENTE RP-II EXOTECH.  O produto se destinou ao playback de vinílicos perfeitos e seu braço (um OEM japonês) facilmente se equipara a similares F.O.B. na faixa de US$350 atualmente produzidos.  Todavia, o melhor deste produto é seu rolamento vertical do prato, que usa uma bomba hidráulica selada que fornece um filme de óleo com a espessura de uma única molécula recobrindo todas as superfícies do eixo, virtualmente eliminando qualquer contato físico e o atrito entre o eixo vertical e sua sede.  A patente que proteje este projeto pertencia à GARRARD e destinava originalmente a um TT sem compromissos de custo/qualidade que viria a substituir os legendários toca-discos para broadcast 301 / 401, há muitas décadas não mais fabricados.  Com a venda da fábrica inglesa para o conglomerado brasileiro o produto britânico jamais viu a luz-do-dia por lá, mas sim uma versão para audiófilos que foi fabricada entre nós e nunca exportada.  Eu sei sobre o que digo porque ví e ouvi os protótipos aqui em São Paulo anos antes dos RP-II serem produzidos e ainda bem me lembro da expressão do rosto do Staub quando lhe descrevi o rolamento e ele surpreso queria saber como eu-sabia-sobre-algo-que-eu-não-deveria-saber, então um suposto segredo industrial.

Este TT é comumente encontrado por aí por um custo simbólico (cem ou duzentos Reais) e uma vez substancialmente modificado pelo artesão (motor agora DC, flywheel externo para um Momento de Inércia adequado e construção de uma base para o conjunto digna deste nome) pode originar um produto facilmente equiparável a similares não tão bons mas de custo entre 10 e US$30.000 F.O.B. no exterior.

Em tempo, devido ao princípio de funcionamento da bomba hidráulica, o prato do RP-II NÃO PODE SER GIRADO NO SENTIDO ANTI-HORÁRIO OU DANOS IRREVERSÍVEIS PODEM SER CAUSADOS AO ROLAMENTO !!

Como lhe disse antes, Wilson, não é uma questão de custo ou marcas de grife, mas sim de conhecimento do que garimpar.

Abraços
Nestor
SOMPERFEITO

P.S.:

A Web fornece muito material de alta qualidade para instruir/autoconstruir/comprar para aqueles que se iniciam neste labor ou então para o aperfeiçoamento daqueles há longo tempo no mercado, seja na técnica, seja sobre equipamento.  Não faz sentido se indicar aqui os 'dez melhores', embora alguns endereços sejam verdadeiros 'vademecuns' de como se fazer, incluso as excessões à regra.  Além de páginas, existem vá-r-i-o-s foruns (em inglês e alemão) para a troca de idéias e discussão de 'temas quentes'.  Assim, sem qualquer outra pretensão que não aquela de amostrar o que existe, havendo tempo, visitem:

Da técnica:

http://www.78rpm.com/pages/rescat/audio/arch.htm

http://www.geocities.com/SoHo/Museum/8764/78tocd.htm (disc transfer in the good ol' days)

http://masteringlab.home.att.net/vinylrestoration.html (na contramão de tudo o que eu disse, mas o site fornece taxas de serviço !)

http://lp2cd.com/prices.htm (idem, idem; entenda o aqui divulgado como sendo uma outra maneira de se cobrar pelo serviço)

Da fronteira da tecnologia:

http://www.elpj.com/

http://w3.kushiro-ct.ac.jp/hikari/waxcyl/waxcyl_e.html

http://members01.chello.se/christer.hamp/phono/poliak.html

http://members01.chello.se/christer.hamp/phono/petrov.html

http://members01.chello.se/christer.hamp/phono/nakamura.html

Do improvável:

http://tinfoil.com/brutus.htm




De: "luifocy2002" <luifocy2002§yahoo.com.br>
Data: 13/02/02 02:45

ralizeiro escreveu:
Se um disco tem 78 Rpm, então ele é 73,5% mais rápido que um de 45 Rpm. Pensei então em digitalizar o disco em 45 Rpm, e depois dar um Time Strech com esse valor de 73,5% o que daria 33 Rpm a mais. ou seja:

45 * 73,5% = 33 Rpm
33 Rpm + 45 Rpm = 78 Rpm

Mas sinceramente, será que vai funcionar? Não sei porque tenho a intuição de que não vai, e que o audio pode ficar parecendo uma conversa de marcianos...


Prezado Gustavo.

Sua intuição está em forma. A restauração dos 78s se divide em duas partes: a reprodução das bolachas e o tratamento digital. Quanto menos tratamento digital for necessário, melhores serão os resultados. Isso requer que a reprodução dos discos seja a melhor possível. Especialmente em casos profissionais, como o seu. Não creio ser preciso entrar na parte digital que, parece, já está bastante disseminada.

    * Quanto à reprodução dos 78s, não basta usar qualquer tipo de reprodutor com velocidade 78 RPM. Dependendo de quando foram feitos, os "78s" rpm podem ter sido "cortados" com qualquer velocidade entre 71,29 rpm (Berliner, Zonophone, Victor e outros) até 82 rpm (Emerson, Brunswick, Okeh e outros). O que significa que velocidade constantemente variável de 60 a 90 rpm e/ou 6 ou 7 velocidades com ajuste de mais ou menos 15% é requisito indispensável no toca-discos.

    * Outro ponto a considerar é a agulha. Ela precisa ser apropriada para os 78s (mínimo de 2,7 mils). 78s foram feitos para reprodução com agulhas de aço. Você poderá usar agulhas mais modernas. Até 1920 as agulhas deviam ser de 4 mil (milésimos de polegadas). De 1920 a 1940 de 3,5 mils e a partir daí de 2,7 mils. As agulhas convencionais para LPs são de aproximadamente 0,7 mils. Usar uma destas com 78 significa raspar o fundo dos sulcos do disco, precipitar seu fim e "criar" ruídos de "bottoming". O que você não quer. Assim, outro requisito é dispor de cápsulas e agulhas próprias para os 78s. Sobre agulhas, você pode consultar a Expert Stylus Co, inglesa (telefone 44 01372 276604).

    * Outro aspecto a levar em conta é a necessidade de ajustar corretamente a massa do conjunto cápsula-agulha sobre o disco. Essa figura, também variável com a época de corte do 78, está por volta de 4 gramas. Recomendo que você compre uma balança (de 2 a 10 gramas) para medir essa massa. Os 78s também podem ter corte vertical (Edison, Pathe, etc.) ou lateral (Victor, Columbia, etc.). Assim, ou o toca discos tem um seletor vertical/lateral, ou você tem que fazê-lo (é questão de fiação da cápsula).

    * Outro aspecto ainda é o diâmetro dos discos, que pode chegar a 16 polegadas (discos de trilhas, de rádios, mix, etc.). Bem, entre outros, os toca-discos fabricados especialmente para reproduzir velhos 78s que preenchem eses requisitos são o Murray II (US$ 500), o Whiteman com braço Transcribe Transcription Arm (US$ 600), o Stewart Belt (US$ 300), o Oliver Belt (US$ 400) e o Ramses da Esoteric.

Claro que você precisará de vários outros acessórios além da balança, como um tapete Sorbothane para o prato, material de limpeza dos discos (quanto mais limpo estiver o 78, menos ruído terá a reprodução), um Lencoclean (da Conrad Electronics) é ótimo para repruduções tipo wet, e de-ionizadores reduzem incrivelmente ruídos (muito comuns) devidos à eletricidade estática que se acumula na superfície dos discos. Os de-ionizadores a removem.

Se você for trabalhar com discos de várias procedências ainda precisará de um pré-amplificador no qual seja possível selecionar várias curvas de equalização, a exemplo da BSI, Columbia, Westrex, CCIR, Ortho, RIAA, NAB (NARTB), Decca e outras. O custo disso tudo não é alto diante da envergadura do que parece ser o trabalho que você tem pela frente. Recomendo que você opte pela maneira profissional para não se aborrecer no futuro e, ao invés disso, projetar seu nome como um bom artífice da restauração.

Boa sorte,
Luiz Fernando Otero Cysne.




De: "Branca DJ" <brancadj§...>
Data: Qui, 14 de Fev de 2002 2:15 am

Bom dia a todos,

olá grande Eng. Luis Fernando obrigado pela dica ao Gustavo e que será de grande valia para meu trabalho e uso pois também estou prestes ha abraçar tais trabalhos e me parece que o custo de aquisição desse  sistema (Toca-discos e acessórios) vai ficar igual ou quase ao valor de um Toca-Discos com 78 rpm para rádio/DJ e que não supre e cumpre tais especificações tão perfeitamente. Não sabia destas diferenças de corte e rotação tão gritantes.

Boa tarde, olá prezado Nestor Natividade obrigado por estas dicas e comentários, vou começar a pesquisar imediatamente na web e arquivarei com carinho este seu e-mail junto com o do Luiz Fernando O. Cysne para posteriores consultas.

Muito obrigado e um abraço.

Wilson ( DJ Branca )
4 Sound Design Studio




Apêndice


Algumas informações sobre as diferentes rotações dos discos fonográficos:


78 RPM

- Primeiro padrão de rotação em discos fonográficos (Victor, 1901 e Western Electric 1925). O valor exato, na verdade, era de 78,26 RPM na rede de 60Hz e 77.92 RPM na de 50Hz. A escolha deu-se por motivos técnicos: usando-se um motor síncrono para o corte do sulco, bastava uma redução mecânica de 46:1, a mais simples e adequada a trabalhos de precisão nas máquinas da época. Alguns outros "padrões" chegaram a coexistir (71.29, 76.59, 78.26, 78.8, 80 e mesmo 90 ou 100 RPM), mas tiveram vida curta. Antes da padronização, os toca-discos eram acionados manualmente a taxas que variavam entre 60 e 90 RPM, considerados valores mais confortáveis.

Principais características dos discos 78 RPM:

* Sulco com fundo chato
* Largura do sulco: 31-187 µm
* Amplitude do sulco: 75 µm
* Distância entre sulcos: 265 µm
* Resposta em frequência: 100-12000Hz
* Relação sinal/ruído: 32-40 dB


45 RPM

- Padrão de rotação em discos fonográficos utilizado em "singles" e compactos (RCA, 1949). Ao contrário do que se pensa, esse número não deriva da equação 78 - 33 = 45, mas de uma necessidade mercadológica. Os singles, como material promocional para ser distribuídos às emissoras de rádio e TV deveriam ter 7" e ser capazes de registar até 5 e 1/2 minutos de música. Cálculos baseados nas caracatrísticas ds máquinas de corte definiram o valor ideal de 45 rotações por minuto.


33 1/3 RPM

- Padrão de rotação em discos de vinil mais utilizado (LP). A origem remonta às primeiras tentativas de sonorizar filmes soncronizando-os com discos fonográficos, em 1925. Um rolo de filme 33mm durava 11 minutos, e os discos de então (em 78 RPM) duravam apenas 3 minutos (3,66 vezes menos). O padrão de 33 1/3 foi então definido após estudos sobre o melhor diâmetro e velocidade da agulha, além da facilidade de sincronismo dos motores com a frequência da rede, de 60 Hz.

Principais características ds discos 33 1/3 RPM:

* Sulco com fundo triangular
* Largura do sulco: 25.4 µm
* Amplitude do sulco: 28 µm
* Distância entre sulcos: 85-125 µm
* Resposta em frequência: 30-16000Hz
* Relação sinal/ruído: 45-60 dB


16 2/3 RPM

- Padrão de rotação presente em alguns toca-discos de vinil, correspondendo a metade de 33 1/3. Foi usado para música ambiente nas décadas de 60 e 70 (com discos de 9") e narração (cursos de línguas, arquivos, etc), mas nunca se tornou popular. Chegou a ser tentando em automóveis nos anos 50, com discos de 7".


8 1/3 RPM

- Formato desenvolvido e utilizado pela American Foundation for the Blind, para gravação de "audio books" para deficientes visuais. Um único disco de 7" nessa velocidade podia armazenar até 4 horas de fala. Mais tarde, revistas para deficientes visuais foram publicadas nessa velocidade, em discos flexíveis de 10". A qualidade do áudio era pobre devido à baixa velocidade, em especial nas últimas trilhas, próximas ao centro (resposta padrão telefônico, 300 Hz - 3000 Hz), adequado apenas ao registro de voz.


Mais informações:

* Record Speeds
http://history.sandiego.edu/gen/recording/speeds.html

* Background Music System
http://history.sandiego.edu/gen/recording/background.html




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