• This site uses cookies. By continuing to use this site, you are agreeing to our use of cookies. Learn More.

Eletrica nas Igrejas

G

Guest

Guest
#1
Olá, não sei se este é o melhor lugar para o assunto mas, como voces estão lidando com a parte de alimentação eletrica nas suas instalações?
Tem observado esse lado?
 

bersan

Administrator
Moderador
#2
Olá Ricardo,

Excelente pergunta. É um dos assuntos que estão na fila para um artigo. Na verdade, dá uma série de artigos.

O ideal de encontrar seria:

- aterramento exclusivo para a sonorização, com as 3 barras de 2,5m de cobre enfiadas em forma de triângulo, distanciadas 1m uma das outras, envolvidas por pelo menos meio metro de sal grosso (cava-se um buraco por 50 cm de profundidade e preenche com sal grosso, só depois que se coloca a haste). Tudo medido por terrômetro. E lógico, os equipamentos todos aterrados.

- uma das fases elétricas das igrejas deveria ser exclusiva para sonorização. Que outra fase cuide de motores (ar-condicionado, geladeiras, bebedouros, ventiladores) e iluminação. Mas isso é complicadíssimo de ser feito em instalações bifásicas.

- filtragem e estabilzação de voltagem, no-break para quando falta energia. Muitas vezes um mesmo aparelho pode fazer os três papéis (existem no-breaks que também são filtros e estabilizadores), mas o fabricante deve ser consultado para ver se o equipamento é certificado para equipamentos de áudio (existem no-breaks de computador que geram ruídos em aparelhos de áudio).

Algo que dá para fazer sem muita complicação:

- o aterramento, que é relativamente fácil de fazer, exceto a parte da medição por terrômetro, que pouca gente tem. O multímetro ajuda, mas o valor é aproximado, nunca exato como o terrômetro faria.

- um filtro tipo Furman ou semelhante.

Somando o aterramento e o filtro, dá um gasto total de de R$ 500,00.

Como para muitas igrejas isso é complicado (autorização para fazer, mão-de-obra, o gasto de dinheiro), em especial as pequenas, sempre dou a seguinte sugestão:

menos menos usem um estabilizador, desses de computador mesmo. É barato, cerca de R$ 30,00, mas já evita que uma parcela de possíveis problemas cheguem aos equipamentos. "Pendure" a mesa de som e os periféricos nele, mas não o amplificador.

O mais interessante que nada disso deveria ser encarado como custo, mas sim como segurança. Evita-se não só queima de equipamentos, mas também choques elétricos e acidentes.

Um abraço,

Fernando
 
#3
Só um detalhe quanto aterramento...

Isso é um assunto muito chato de se lidar...

Antes de fazer um aterramento só para sonorização, você tem que ver na sua igreja qual é o sistema de aterramento, existem vários. O mais clássico, creio eu, é aterrar o neutro no quadro de entrada, e trazer este fio terra separado do neutro até as tomadas onde serão utilizadas.

Ué, mas porque usar dois fios separados se eles tem a mesma origem? Deve usar porque eles terão destinos diferentes. O neutro em condições normais é pra ter circulaçao de corrente, já o terra não, só circula corrente por ele em condições anormais, geralmente em fugas para terra.

Essa parte de dois aterramentos independentes do mesmo terreno é complicado... pode até ser feito, mas garanta que os dois terras não sejam interligados.... porque um aterramento pode estar numa área de potencial diferente do outro, mesmo estando os dois ligados a terra. E se isso acontecer, haverá corrente circulando pelo terra, ou seja, você vai ter potencial na carcaça de todos os equipamentos.

Isso pode acontecer em situaçoes de descargas atmosféricas próximo ao seu aterramento, tipo, algum edifício que tenha um pára-raio próximo ao seu aterramento...

Mas você atendendo o básico, que é puxar um fio terra do painel principal (e este fio deve ser ligado ao neutro do painel), até as tomadas do som, já tá de bom tamanho, visto que muitos lugares nao dao atenção a esse assunto.

Lá na igreja temos uma barra de cobre fincada no chão próximo ao som... depois da colocação dessa barra, nossos problemas com ruídos e interferencias diminuíram. O que sobra agora é culpa dos cabos não-balanceados que ainda usamos, o que mudaremos em breve.

menos menos usem um estabilizador, desses de computador mesmo. É barato, cerca de R$ 30,00, mas já evita que uma parcela de possíveis problemas cheguem aos equipamentos. "Pendure" a mesa de som e os periféricos nele, mas não o amplificador.
Concordo 100%. Se não tiver condições de usar um no-break, use pelo menos um estabilizados.

Bersan, esse assunto dá um bom artigo, não?
 
#4
Quando aos no-breaks bem lembrado Bersan, eles podem ser inimigos do som porque usam tiristores... e meu amigo, tiristores áudio não combinam, hehehe. Eles geram harmonicas na rede (sinais de frequencias múltiplas de 60Hz na rede elétrica).
 
#5
Sugiro a instalação de um quadro de distribuição parcial, exclusivo para o sistema de som, sendo alimentado pelo quadro principal de luz, com potência nominal a ser calculada (depende dos seus equipamentos), com 3 fases mais neutro e mais terra (3F + N + T), montado assim:

1) A partir do quadro principal de energia (onde chega a luz da rua), derive um disjuntor trifásico parcial, devidamente calculado, para atender ao quadro do som.
2) No quadro principal há um conector de neutro. Leve também um cabo para o neutro até o quadro do som.
3) Quanto ao terra, todo o neutro da concesionária (Light, AMPLA, etc) é obrigatoriamente aterrado. Isto é feito para evitarmos o que chamamos de neutro flutuante, logo, não se faz necessário aterramento exclusivo para o som, até pelos riscos já mencionados na mensagem anterior.
A partir do ponto de neutro do quadro principal, leve um cabo para o terra até o quadro parcial do som. É importante que o cabo do neutro e do terra sejam diferentes, embora partam do mesmo ponto, conforme determina a NBR 5410 (Norma Brasileira para Instalações Elétricas de Baixa Tensão).
4) É importante seguir as cores recomendadas pela norma: Verde ou verde-amarelo para o terra, azul claro para o neutro e demias cores para as fases.
5) Chegando estes cabos no quadro parcial do som, faça a distribuição de disjuntores conforme a necessidade de circuitos (1F + N + T ou 2F + T).

Quanto aos ruídos, podem ser evitados colocando-se transformadores com relação de transformação 1/1 na entrada deste quadro parcial, ou pelo menos usar-se estabilizadores. Só que os estabilizadores mais baratos (que todo mundo usa em computadores domésticos) não costumam ter potência suficiente para todo o sistema, portanto, use mais de um, quantos foram necessários. O problema é que a maioria é fabricada na China/Taiwan, aí, não filtram nada, só geram harmônicos.

Quanto aos no-breaks, os mais caros possuem filtros de saída, fornecendo uma senóide perfeita, porém os mais acessíveis, para baratear, não possuem estes filtros, logo, por uma característica das UPS's, não fornecerão senóides, o que ceracteriza uma energia suja.
´
Atenção! Eletricidade é perigosa e pode causar sérios acidentes. Procure um profissional qualificado.
 

bersan

Administrator
Moderador
#6
Opa, vários comentários interessantes. Não disse que isso dava um bom artigo? Vamos analisar algumas coisas:

Ls.Bastos escreveu:

você tem que ver na sua igreja qual é o sistema de aterramento, existem vários. O mais clássico, creio eu, é aterrar o neutro no quadro de entrada
Esse aterramento é exigido pelas concessionárias. Normalmente é uma haste de ferro no chão que eu nunca vi ninguém medir antes de instalar um relógio de energia. Logo, seria para mim o menos confiável.

Eu trabalho com informática, na parte de infra-estrutura. Não sou técnico em eletrotécnica muito menos engenheiro, mas em informática o aterramento deve ser exclusivo, um "terra" diferente do "terra" dos outros equipamentos elétricos. Um ar-condicionado, por exemplo, pode induzir tensão no terra e estragar vários computadores (eu já vi isso acontecer). Em áudio, eu diria que é o mesmo princípio. "Terra" isolado para áudio, inclusive diferente do "terra" da rede de computadores.

Essa parte de dois aterramentos independentes do mesmo terreno é complicado... pode até ser feito, mas garanta que os dois terras não sejam interligados.
Vide explicação acima. As barras de aterramento de sistemas diferentes devem ser instaladas com o máximo de distância possível entre si, para uma barra não interferir na outra através da própria Terra (terra mesmo, areia, barro, etc).

Lá na igreja temos uma barra de cobre fincada no chão próximo ao som... depois da colocação dessa barra, nossos problemas com ruídos e interferencias diminuíram.
Exatamente isso. Além dessa melhoria, evita-se acidentes elétricos.

Quando aos no-breaks bem lembrado Bersan, eles podem ser inimigos do som porque usam tiristores... e meu amigo, tiristores áudio não combinam, hehehe. Eles geram harmonicas na rede (sinais de frequencias múltiplas de 60Hz na rede elétrica).
Sim, tenho uma péssima experiência com um SMS de informática que colocaram para uso no som. Ele é um bom no-break, mas gera indução na mesa de som. Dá para usar depois um Furman para filtrar e minimizar os ruídos, mas é melhor consultar o fabricantes ANTES da compra, não?

Edlopessilva escreveu:

Sugiro a instalação de um quadro de distribuição parcial (...) com 3 fases mais neutro e mais terra (3F + N + T)
Adorei a idéia, acho que seria o ideal, mas e nas igrejas menores que as entradas são bifásicas?

Quanto ao terra, todo o neutro da concesionária (Light, AMPLA, etc) é obrigatoriamente aterrado. Isto é feito para evitarmos o que chamamos de neutro flutuante, logo, não se faz necessário aterramento exclusivo para o som, até pelos riscos já mencionados na mensagem anterior.
Já citei isso lá em cima. Não sei o que é "neutro flutuante", mas volto a dizer: em informática o aterramento é obrigatoriamente independente. Em áudio deve ser a mesma coisa.

E também volto a dizer: nunca vi ninguém fazer teste com terrômetro nesses neutros de concessionária. Já vi terras de neutro feitos com simples barras de ferro de 50 cm Será que dá para confiar neles? Será que, na dúvida da qualidade, não é melhor fazer um sistema independente?

Só que os estabilizadores mais baratos (que todo mundo usa em computadores domésticos) não costumam ter potência suficiente para todo o sistema, portanto, use mais de um, quantos foram necessários.
Por isso que recomendo usá-los para mesas e periféricos, cujo consumo está abaixo dos 300VA. Para amplificadores, o problema é que está difícil encontrar estabilizadores com potência acima dos 300VA.

O problema é que a maioria é fabricada na China/Taiwan, aí, não filtram nada, só geram harmônicos.
Uns anos atrás, o Fantástico fez um teste e reprovou todos os modelos de estabilizadores domésticos para computador. Depois, o INMETRO baixou norma e os fabricantes tiveram que se adequar. Hoje, eu diria que se o produto tem selo do INMETRO, já tem um nível de proteção razoável (mínimo, mas já protegem mesmo).

Tem tempo que não compro estabilizadores (uso em casa Nobreaks), mas SMS, Engetron, Microsol, etc eram marcas bem boas, e feitas aqui no Brasil. A Engetron é de MG, SMS é SP e Microsol é feito no Ceará.

Quanto aos no-breaks, os mais caros possuem filtros de saída, fornecendo uma senóide perfeita, porém os mais acessíveis, para baratear, não possuem estes filtros, logo, por uma característica das UPS's, não fornecerão senóides, o que ceracteriza uma energia suja.
Os baratos tem saídas PW alguma coisa, um tipo de onda quadrada. As fontes chaveadas dos micros e periféricos trabalham com elas normalmente, sem problemas. Mas áudio...

Atenção! Eletricidade é perigosa e pode causar sérios acidentes. Procure um profissional qualificado.
Eu NÃO MEXO com eletricidade. Na verdade, "morro de medo". Quando vamos fazer evento fora da igreja ou do Anfiteatro, exijo a presença de um eletricista. Só ligo os equipamentos antes de medir tudo com o multímetro e conferir se está certo.

Já peguei cada coisa... tomada que estava marcada 110V e era 220V, tomada com fio de telefone, disjuntor de 10A segurando 3.000W de potência...

Dá um excelente artigo. Algum engenheiro elétrico de plantão para escrever? Eu sou advogado...

Por último, na falta de um engenheiro, tem esse livro aqui:



Aterramentos elétricos, R$ 39,00, Editora H.Sheldon.

<!-- w --><a class="postlink" href="http://www.editorahsheldon.com.br">www.editorahsheldon.com.br</a><!-- w -->.

Um abraço,

Fernando
 
#7
Bersan,

Tá falando do PWM né? Pulse Width Modulation.

Neutro flutante é quando ele nao tem um referencial, creio eu. Você aterra o neutro para garantir que ele tenha um potencial fixo, e convecionou-se que o potencial da terra é 0V. Assim você mantém a mesma ddp entre as três fases.

Isso é bonito na teoria né, porque na prática, hehehehehe, deixa prá lá.

Agora, temos que lembrar que algumas dicas são para grande sistemas sonoros... igrejas pequenas não precisam ter um quadro específico para tal, com 3 fases... quem for de uma igreja pequena, como a minha, vai se assustar, hehehehe.

Eu sou técnico em eletrotécnica, posso arriscar algum artigo com base em literaturas conhecidas. Mas tenho que estudar novamente o assunto, heheheh. E vocês dão um aval nele.
 

bersan

Administrator
Moderador
#8
Feito. Mas deve envolver uma série de assuntos:

- estimando a corrente elétrica dos equipamentos e dimensionando o sistema.

Deve envolver o levantamento das potências totais, os disjuntores e bitolas de fios necessárias. Incluir iluminação/projeção.

- 110V ou 220V?

O caso dos amplificadores. 110V exige fios mais grossos e há uma amperagem melhor. 220V tem vantagens mais traz mais riscos.

- Filtragem/Estabilização/Suprimento alternativo de energia

Incluir filtros, estabilizadores e no-breaks.

- Aterramento

Como fazer um aterramento simples porém eficaz, ligação nos equipamentos, etc.

Se possível, com bastante fotos, pouca matemática (o mínimo necessário) e em linguagem que um leigo completo possa entender.

Entrega quando? Semana que vem? (brincadeira...)

Um abraço,

Fernando
 
#9
Hehehe, eu posso até apresentar uma parte, mas tem gente mais qualificada aqui pra dar um aval, hehehe.

Mas nada que um artigo em grupo nao possa resolver! :D

Só não entendi o porque da parte de iluminação... isso aí já envolve a parte de luminotécnica, é interessanter ter esse assunto mesmo?
 

bersan

Administrator
Moderador
#10
Iluminação e projeção costumam pegar "carona" na energia do som.

- Quem chega primeiro no evento? O pessoal do som!
- Quem monta tudo primeiro? O pessoal do som!
- Quem tem que "puxar" energia lá longe, do quadro de distribuição? O pessoal do som!
- Quando tá tudo de som montado e testado, quem chega em cima da hora e pede uma tomada? O pessoal da iluminação/projeção!
- Quem é que causa sobrecarga e estoura a instalação elétrica toda? O pessoal da iluminação/projeção!*
- De quem é a culpa quando pára tudo? Do pessoal do som!

* um única lâmpada de iluminação pode consumir 1.000W, um projetor pode consumir 20A.

Tenho algumas experiências muito, muito tristes com o pessoal da projeção. Nem convém contar aqui, mas eles são terríveis. Uma vez a projeção, ao levar um projetor 3x mais potente (e com consumo 3x maior, mas esqueceram de avisar isso) estourou tudo e deixou 8.000 pessoas sem som!

Agora viu a necessidade de se dimensionar o AC para isso? Pense também na realização de eventos dentro e fora da igreja.

Um abraço,

Fernando
 
#11
Hehehehe... calmaê Bersan.... :mrgreen:

Aí você não quer um artigo, e sim um manual de eletrotécnica completo, coisa que até em livrarias creio ser difícil de encontrar! :shock:

Posso tentar fazer uma artigo para orientar o leitor a procurar informações para projetar seu sistema elétrico para sonorização, mas é apenas um artigo, e não um manual.

Topas? Até porque tem gente mais competente do que eu aqui no fórum pra fazer esse artigo! :wink:
 

bersan

Administrator
Moderador
#12
Topo, claro!

Então a gente escreve junto. Eu entro com as minhas experiências e você conserta as besteiras técnicas (não tenho formação na área) que eu falar.

Mas não precisa ser um manual completo não, é apenas para que as pessoas tenham noção de que não podem "pendurar" 30A na primeira tomada que encontram pela frente!

Vamos trocar algumas mensagens em PVT.

Um abraço,

Fernando
 
#13
Ok, Bersan, até porque em relação ao áudio não tenho formação oficial, vamos assim dizer, e iluminação, nao tenho experiencia...

Vou organizar algumas idéias e conversamos então.

Abraços!
 
#14
Bersan e ls.bastos

Uma sugestão: acho interessante, neste artigo, que vcs abordem a questão de como saber qual é o consumo de cada aparelho e de como calcular o consumo total do sistema, para, a partir daí, dimensionar o sistema de energia.

[]'s
 

bersan

Administrator
Moderador
#15
David,

vcs abordem a questão de como saber qual é o consumo de cada aparelho e de como calcular o consumo total do sistema, para, a partir daí, dimensionar o sistema de energia.
Beleza, esse é o princípio de tudo. O texto (já fiz um esboço e mandei para o LS.Bastos) começa exatamente assim: com o levantamento dos consumos elétricos envolvidos.

Um abraço,

Fernando
 
#16
Fernando, Estou aguardando o artigo....e mais um que vai ser lido, estudado e para coleção das minhas apostilas....daqui a pouco a minha casa voce ira entrar e so tem apostilha...ahahahahahahah,...


Abraços e bom final de semana

Heriberto
 

bersan

Administrator
Moderador
#17
Você precisa ver aqui em casa.... quando o espaço acabou, tive que fazer um "puxadinho" de 70m² para conter os livros, apostilas, revistas velhas (Já ouviu falar na revista SomTrês, publicada de 1980 a 1989?)

Uma das idéias minhas com o site era exatamente passar a papelada velha para meio digital (estão virando os artigos) e me livrar do papel. Está funcionando devagarinho, mas está.

Um abraço,

Fernnado