Headsets e Earsets AKG, Shure, Audio-Technica e Karsect

Parou na minha mão um sistema Shure e um Audio-Technica, ambos sem fio, que foram pegos emprestados para o uso em um evento. O Shure veio com um headset e um earset, o AT com um earset. Como eu tenho um AKG headset e acesso a alguns Karsect headsets, não podia dar outra coisa: um bom "Teste de Equipamentos".

AKG WMS 40 UHF

Uns anos atrás, o Senhor me deu um presente: um sistema AKG WMS 40 UHF, composto por um transmissor PT40, uma base receptora SR40 e um microfone C444L headset. Foi presente porque paguei muito, muito barato mesmo. Não vou nem colocar o preço aqui porque todo mundo vai achar que só pode ser “cabrito” (gíria da minha terra para coisa roubada). O que posso dizer é que comprei usado, mas em loja, com recibo e tudo.

E foi uma benção para mim porque usei e uso muito esse microfone quando dou minhas aulas de sonorização para o pessoal das igrejas. Um microfone headset é excepcional para essa função: é prático, leve, nunca sai do lugar (é bem firme) e deixa as mãos livres para escrever no quadro ou demonstrar algo (aliás, ele é de uma série chamada “Sport”, feito originalmente para ser usado em academias de ginástica, por exemplo). E o C444L é simplesmente fantástico: qualidade de voz excelente, não distorce mesmo quando dou meus gritos, e é cardióide. E é dificílimo de dar microfonia.

Uma dos melhores momentos das aulas do curso que dou é quando falo que, sabendo escolher e utilizar o microfone adequadamente, é difícil aparecer microfonia. E então ando em direção à caixa de som, grudo o meu rosto (com o cuidado da cápsula do C444L estar de costas para a caixa) na tela e peço para irem aumentando o volume, cada vez mais, sem que ocorra nenhuma microfonia. A expressão de espanto no rosto dos alunos mostra que eles vão se empenhar bastante em aprender a matéria.

As especificações técnicas do C444L são: 

Padrão de Captação: Cardióide
Resposta de Frequência:  20 to 20,000 Hz
Sensibilidade:  40 mV/Pa (-28 dBV)
Max.. SPL (distorção = 1%) 126 dB
Voltagem de alimentação: 1-10 V (é um condensador, exige Phantom Power, fornecida pelo próprio transmissor)
Conector C 444 L: miniXLR  de 3 pinos
Cabo de 1,5 m
Peso: 30g

Para não dizer que ele é perfeito, depois de umas 3 horas de uso (minhas aulas costumam durar 4 horas cada) a orelha começa a doer. Fora isso, foi presente de Deus mesmo!

Quanto ao transmissor e receptor, apesar de serem de projeto velho (lançado em 2000, se não me engano), nunca me deixaram na mão. A base tem os controles necessários. Na frente: chave liga-desliga, luzes de estado (base ligada e transmissor ligado) e volume. No painel traseiro há saída XLR balanceada (nível de mic) e P10 (desbalanceada, nível de linha) e o ajuste de Squelch.

Muita gente não faz idéia para que serve o squelch. Se colocarmos o squelch todo para um lado, a seletividade da frequência é máxima (menor chance de interferências) mas o alcance (a distância) é reduzido. Para o outro lado, a chance de captar interferências é maior, mas o alcance também aumenta. Em geral, o fabricante coloca esse controle no meio, e a necessidade de ajuste é bem raro. No meu caso, já usei a base a 60 metros do transmissor sem problema algum (mas a pilha era nova e não havia obstáculo entre um e outro). A única vez que tive problema de interferência foi resolvida com uma simples mexida na posição da antena.

O transmissor é pequeno, discreto, e alimentado por 2 pilhas. No compartimento de pilhas há uma chave, que permite selecionar MIC-LINE, permitindo utilizar o transmissor para receber sinal de microfones ou de linha. Ele inclusive veio com um cabo com conector P10, permitindo seu uso como transmissor sem fio para guitarra, por exemplo. Além disso, há um controle de ganho para microfone, permitindo um ajuste mais preciso, adequando o transmissor ao tipo de microfone que será a ele conectado.

Não tenho reclamações sobre esse AKG. Antigo sim (e feioso e quadradão), mas 100% funcionando e bom! Existe uma versão mais nova, com design bem mais bonito. O transmissor é ainda menor e com uma única pilha. Mas ainda é possível encontrar o sistema original para vender. Existem modelos do WMS 40 que permitem escolher entre 3 freqüências, mas são mais caros, assim como modelos True Diversity (2 antenas).

Na loja Foxtrot, de Salvador/BA, www.foxtrot.com.br , o transmissor e base estão custando R$ 1.000,00 (http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=122&pid=15) e o C444L (é comprado separado, pois há várias opções de microfones compatíveis com o transmissor) está com preço de R$ 378,00 (http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=23&pid=114). Em uma loja da minha cidade, o kit completo já com design novo está saindo a R$ 1.450,00.

SHURE PGX UHF

O sistema da Shure é formado por uma base PGX4 UHF e transmissor PGX1, com 90 canais selecionáveis. Um projeto muito mais recente, mais bonito, com recursos melhores (o squelch, por exemplo, passa a ser automático).

 

Mas vamos falar primeiro do microfone original do kit, o WH20.

Tipo: Dinâmico (isso explica porque ele é tão maior que o C444L, conforme foto abaixo)
Resposta de Freqüência: 50 a 15KHz (muito bom para um dinâmico)
Padrão Polar: Cardióide (unidirecional)
Nível de saída:  -67.0 db/Pa (0.45 mV)
Cabo: 1,22 m
Peso: 63g

 

Uma pena o manual não citar o máximo SPL suportado. Provavelmente é alto, já que estamos diante de um Shure. No teste, mesmo com uns gritos, ninguém notou distorção alguma.

 

A qualidade da voz é boa, muito boa, mas comparado com o C444L da AKG, sente-se falta de mais agudos. Mics dinâmicos costumam ter resposta mais pobre em agudos que condensadores. Mas o maior problema não foi esse, mas sim a haste ser de metal, nem um pouco flexível. O microfone fica bem firme na cabeça, mas a haste incomoda, principalmente a quem usa óculos (todo headset incomoda quem usa óculos, mas este incomoda muito). E o peso maior significa também que não dá para ficar com ele por muitas horas.

 

Mas ele tem uma vantagem em cima do C444L. Ele permite ser dobrado, enquanto o AKG não. Ponto para a engenharia da Shure. Será mesmo? Logo na articulação que permite essa dobra, olhem só o que encontrei:

 

Será que rachou porque é “Made in México”?

Quanto ao transmissor, ele é um pouco maior em altura que o transmissor da AKG. A grande diferença está na antena, que é flexível (e só quer saber de ficar enrolada), enquanto no AKG ela é “dura”. A antena ser “dura” exige um pouco mais de cuidado, para evitar danos.

 

Há no transmissor três opções de escolha de nível de sinal: MIC, 0 e -10.

 

O manual se complica um pouco ao explicar isso:

“0dB: Para apresentação vocal baixa até normal.
–10dB: Use somente se o áudio estiver distorcido devido aos altos níveis vocais.”

E em outro local, cita:

“Nível de Entrada de Áudio –10 dBV máximo na posição de ganho do microfone
+10 dBV máximo na posição de ganho 0dB
+20 dBV máximo na posição de ganho –10dB”

Manual em português disponível em “http://www.shure.com/ProAudio/Products/WirelessMicrophones/us_pro_pgx_wireless_pt_ug”

Ficou na dúvida? Eu também. O manual em vez de explicar, complica! Eles nem citam explicitamente a existência da opção “Mic”. Mas não há grandes mistérios, e basta um teste rápido antes do uso para se encontrar a melhor posição.

O sistema de fixação dos transmissores é bastante parecido, mas o da Shure é bem melhor, mais firme que o AKG.

 Tanto o transmissor do AKG quanto o do Shure tem, além do botão liga-desliga, chave Mute. No AKG, a opção de Mute fica no meio do caminho entre a posição ligado e desligado. Costumo avisar aos usuários que para ligar tem que levar à chave totalmente ao outro canto, mas de vez em quando um “esquece” e todo mundo olha para o operador, achando que a culpa de não funcionar é dele. Já o sistema do Shure é mais inteligente. Com o aparelho desligado, ao se premir o botão ele é ligado. Se então apertarmos rapidamente, ele entra em Mute. Para desligar, precisa apertar por alguns segundos.

 Quanto à base receptora, a PGX4 é linda! Compacta, toda arredondada, emborrachada dos lados (parece que foi feito para aguentar algumas quedas), duas antenas (True Diversity, bem melhor). As antenas são semi-flexíveis. A primeira vez que peguei nelas estranhei, mas logo achei muito melhor que a antena de metal do AKG.

 

Há uma luz indicativa de recebimento de sinal de áudio. Apesar de ser apenas uma luz, ela pode ser verde (normal), amarela (sinal mais forte) e vermelha (pico, clipping). Bom, muito bom.

 

Ao lado, os leds indicativos do canal selecionado e um botão para trocar de canal. Segundo o manual, dá para montar grupos de microfones (múltiplos sistemas PGX) sem o menor problema. O sistema de acesso a um canal específico (do 20 pular para o 58, por exemplo) é possível também, mas demanda leitura do manual e um tempo para se acostumar.

 

Do lado direito do transmissor, um transmissor infravermelho e o botão Sync. Na verdade, a seleção de canal é feito na base e depois basta aproximar o transmissor (com a tampa aberta, revelando um receptor infravermelho) e apertar o Sync. Engenhoso, mas é necessário se acostumar com a distância para a operação ser realizada. Nada que alguns testes não resolvam.

Por trás, a saída XLR (nível de microfone) e P10 (nível de linha). E o indicativo da freqüência de trabalho, que poderia ser um pouco mais alta na minha opinião. Dentre todos os mics testados, era o único com freqüência abaixo de 600MHz.

 

Tirando o microfone (que não é ruim, talvez apenas incômodo), o sistema da Shure é excelente. Funcionou sempre bem, em todas as freqüências selecionadas, sem problema algum. Só não deu para comparar as distâncias alcançadas, já que o local de teste não comportava. Por ser True Diversity, o alcance deve realmente estar bem próximo do que o manual cita, que é de 100m.

Então a única falha é não ter o botão de volume? Como praticamente todas as mesas de som profissionais tem sempre um controle de ganho, o volume é realmente desnecessário. Mas que se houvesse o controle não há dúvida que seria bem vindo 

Quanto aos preços, o WH20 está custando R$ 546,00 (http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=23&pid=144). Bem mais caro que o AKG C444L. A base PGX não encontrei na Foxtrot para vender isoladamente, mas um sistema PGX completo semelhante a este (só que equipado com microfone de lapela) está custando R$ 2.600,00 (http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=122&pid=9)

Mas o Shure não foi pego por causa do WH20, mas sim porque havia junto um earset Countryman WCE6T!

 

O earset Countryman (para quem não conhece, é semelhante aos utilizado pelo R.R.Soares nas suas pregações na TV Bandeirantes ou pela Ana Maria Braga na TV Globo) é o sonho de 10 entre 10 pregadores em igrejas. Finíssimo, levíssimo, excelente qualidade, passa facilmente despercebido. Eu mesmo já tive que prestar atenção a alguns pregadores para saber que tipo de microfone estavam usando. Só que o preço… R$ 2.337,00 (http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=23&pid=131). Isso só no microfone, sem a base! Uau, que sonho caro!

 

As características técnicas são:

Microfone Condensador Omnidirecional
– Tipo Ear Set Extra Pequeno
– Ideal para Locução
– Resposta de Freqüência: 30Hz à 20kHz ±3dB (flat cap)
– Haste Flexível
– Sensibilidade: 2mV/Pascal
– Nível de Sobrecarga: 135dB SPL
– Voltagem de Operação: 1 – 3.0 Volts
– Peso: 2g

Note o peso: apenas 2 gramas!!! São 15 vezes menos que o C444L e 30x menos que o WH20. Dá para colocar e nem lembrar que o microfone está na orelha! E por mais que alguém grite ou exagere na voz, ele não distorce.

Uma coisa que não sabia sobre os Countryman é que eles vem com ponteiras intercambiáveis. A ponteira forma um “túnel”, por onde o som entra em direção à cápsula. Dependendo do comprimento desse túnel, a resposta de frequência muda. O microfone vem acompanhado de 3 ponteiras. Uma delas deixa a resposta flat, outra dá um incremento nos agudos de +4dB e outra dá um incremento de +8dB. Fica a gosto do “freguês”, que pode adequar o microfone para uma ou outra voz.

 

O Countryman é um microfone fantástico, não fosse duas coisas: caríssimo e fragilíssimo. Exigem muito cuidado e atenção.

AUDIO TECHNICA 2000 SERIES UHF

Muito bom este sistema, composto por uma base ATW-2100 com transmissor ATW-210. O design não é tão avançado quando o do Shure, mas é sóbrio e elegante. São 10 canais UHF selecionáveis, sistema True Diversity (duas antenas)

 

Na frente, a base traz o botão liga/desliga, um grande painel LCD, botões para escolha da freqüência e um botão que permite escanear (procurar) uma freqüência livre. O painel LCD é que é show: mostra o canal selecionado, o nível de recepção do sinal e o nível de volume do sinal. Mais informações, impossível.

 

Atrás, há os conectores das duas antenas, um controle manual de Squelch, controle de volume de saída, saída XLR balanceada e P10 desbalanceada.

 

O transmissor é pequeno, do tamanho do PT40 (modelo antigo) e também tem antena fixa. Diferente dos outros dois, ele não tem Mute (o que, pessoalmente, acho a melhor solução). Mas o grande diferencial é a parte interna. Há uma chave para se escolher entre os 10 canais, e duas chaves para escolha do ganho. Uma para ganho de Instrumento, outra para ganho de Microfone. E o mais incrível: em uma excelente solução de engenharia, dentro do próprio aparelho há a ferramenta para se efetuar essas mudanças. Tudo bem que no AKG qualquer chave Philips pequena resolve, mas este aqui já traz tudo o que se precisa!

 

 

 

A transmissão é excelente, sem ruídos. Não há o que reclamar. A distância máxima citada pelo manual é de 90m.

O microfone desse AKG é tão bom quanto o Countryman. É um earset Audio-Technica MicroSet,  modelo AT-892.

 

As características técnicas são:
Elemento: Condensador
Padrão de captação: Omnidirecional
Resposta de freqüência: 20-20,000 Hz
Sensibilidade: –44 dB (6.3 mV) re 1V at 1 Pa
Impedance: 250 ohms
Máx SPL:  122 dB SPL, 1 kHz,  1% T.H.D.
Phantom Power: 11-52V DC, 2 mA typical (fornecido pelo transmissor)
Peso: 2.4 g
Cabo: 1.4 m

Este AT não “agüenta” tanto SPL quanto o AKG e o Countryman, mas 122dB ainda são mais que suficientes para não distorcer. A qualidade dele também é muito boa, a voz fica perfeita!

Outra coisa boa desse AT: a parte onde se segura o microfone para colocá-lo na orelha é mais “bojuda”, e com isso parece ser mais resistente. Também achei o microfone mais fácil de ser encaixado na orelha que o Countryman. Já vi muita gente se “complicar” na hora de usar o Countryman.

Esses sistema completo (microfone mais sistema sem fio) encontrei na minha cidade por R$ 3.000,00, e na Foxtrot encontrei somente o microfone por R$ 1.400,00 (http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=23&pid=164) e o conjunto transmissor + receptor por outros R$ 1.400,00 (http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=122&pid=33).

 

KARSECT KRU-301 UHF COM HEADSET

Esses 3 sistemas são para quem tem um orçamento disponível entre R$ 1.500,00 (WMS-40 com C444L  até R$ 4.500,00 (PGX com Countryman). E quando o orçamento é pequeno? Então vamos testar dois modelos da Karsect. Evidente que a qualidade vai cair "um pouco" também…

Um amigo usa o modelo KRU-301 com headset na sua igreja, com uma mesa Phonic. O KRU-301 é UHF, mas tem apenas uma freqüência, usa um transmissor equipado com bateria 9V, muito mais caras que pilhas AA. As fotos eu tirei em loja pois quando visitei a igreja dele não estava com a câmera.

 

O transmissor do sistema é o KLT-8U, é um pouco maior que o PT40, mas menor que o do PGX1 da Shure. A sua antena é flexível, e há um controle de ganho, e uma luz indicativa de bateria baixa (aliás, comum a todos os modelos). Há o botão liga/desliga e Mute, chamado nele de “StdBy”. O conector é P2, tipo esses de fones de ouvido, só que mono.

 

A base receptora tem o design arredondado, cópia das bases T4VHF da Shure. Luz de ligado, luz de sinal, volume, saída XLR e P10 atrás, além do controle Squelch. Ela é True Diversity, e já usei um sistema semelhante (com transmissor de mão) ao lado do AKG, a 60metros de distância também, sem problemas. A qualidade da transmissão do AKG WMS e do Karsect, para mim, é praticamente a mesma. Meu colega também não tem reclamações de interferências. Agora, se a qualidade da transmissão é boa, a qualidade do microfone….

Este modelo vem equipado com um headset simples. Bem simples mesmo!! A haste é de plástico, e a aparência é bem frágil. A qualidade sonora é razoável, bastando uma boa regulagem na mesa (em geral, mais agudos). A cápsula do microfone é grande, maior ainda que a do Shure WH-20, e fica bastante aparente.

Ele não aguenta muita pressão sonora. Se alguém for cantar alto com ele, vai distorcer. Mas para meu amigo, cujo pregador principal tem uma voz não muito potente, tem bom desempenho. O problema é que os outros pregadores às vezes não querem usar o microfone, por achá-lo “grande e feio”. Alguns literalmente preferem pregar sem microfone.

Além disso, esse headset tem um sistema de fixação muito, muito estranho. Ele não é bem preso na alça que envolve a cabeça, e se a pessoa se movimentar demais, o microfone “pula” para cima e para baixo.

 

O preço desse sistema completo é de R$ 400,00, e o headset é encontrado avulso por R$ 30,00. Existe até a alça avulsa (e se vendem ela avulsa é porque quebra).

Eu não encontrei especificações técnicas sobre o microfone, apenas o nome: HT-2. Ele pode ser encomendado com conector miniXLR de 3 pinos (padrão AKG) ou miniXLR de 4 pinos padrão Shure.

KARSECT KRU-161 UHF COM HEADSET “FININHO”

Esse modelo Karsect é bem superior ao anterior. Ele é True Diversity, vem com 16 freqüências selecionáveis (0 a 9, A a F), um transmissor KLT-6U alimentado por 2 pilhas AA. Mas o que chama a atenção é o microfone, um headset (porque prende nas duas orelhas), mas fininho como um earset. Vamos falar sobre ele depois.

 A base receptora tem muitas novidades. Um painel indicativo do canal, chave seletora de canal, um bem vindo medidor do nível de sinal (verde e vermelho, este indicando clipping), um botão de volume. Atrás, Squelch, XLR e P10.

O transmissor KLT-6U, por sua vez, é bem menor que seu irmão KLT-8U. Usa pilhas AA, tem Mute, mas faltou uma coisa importante, que é o controle de ganho. Ele tem conector miniXLR de 3 pinos, e aceita os microfones da AKG, por exemplo.

 O custo desse sistema, com o headset “fininho” é de R$ 600,00. O microfone, isoladamente, custa R$ 70,00.

 

Agora vamos falar do microfone, modelo HT-3 do qual também não consta nenhuma informação técnica. Como o conector é o mesmo do AKG, comprei só o microfone isolado (não a base) para experimentar. Eu e um amigo fizemos os testes.

É incrível observar como as pessoas se espantavam. Elas sabem que o “fininho” é caríssimo, e muita gente perguntou como eu consegui comprar um desses. “Segredo”, era minha resposta. Se eu contasse a verdade (R$ 70,00) e depois o microfone se revelasse ruim, ficaria complicado para o meu lado.

Ele é leve, bem mais leve que o AKG C444L. Suas hastes são finas, e praticamente não incomoda nada, mesmo para quem usa óculos.

Testei o microfone em duas pessoas, durante aulas na igreja. A primeira falava altíssimo, e o microfone logo mostrou seu maior defeito: “rachava” quando a pessoa falava mais alto. Talvez fosse possível melhorar um pouco com o ajuste de ganho do PT40, mas… Já com a outra pessoa, com voz mais moderada, foi tranquilo. Testei em uma mesa Ciclotron AMBW, e deu muito “puf-puf”, mas foi só tirar graves e melhorou bastante. Mesmo com as pessoas andando pelo palco, não houve problemas sérios de microfonia, mesmo às vezes passando próximas a caixas de retorno.

Já meu amigo testou em uma Ciclotron CSM, elogiou a qualidade do som (só foi necessário tirar um pouco de médios e resolveu a equalização). O “puf-puf” não existiu, tanto porque ele aplicou o Low Cut da mesa (abaixo de 100Hz), e também porque ele descobriu algo que eu não: é possível fazer um ajuste no comprimento, permitindo um ajuste mais fácil a vários usuários (gordos, magros, cabeça estreita, larga, etc).

O pastor da igreja dele, acostumado com um earset de primeira linha, gostou muito do microfone por um motivo trivial: por ser preso nas duas orelhas, ele fica muito mais firme que o earset. Mas isso pode ser um problema: dependendo do formato do rosto, esse microfone fica apontado para o queixo da pessoa. Apesar de ter visto uma situação assim, a captação mesmo nessa posição foi boa, sem problemas.

Esse microfone é muito bom, exceto por sua limitação com pessoas que falam mais forte. Dá para usá-lo tranqüilamente para algumas pessoas com voz mais comedida, mas para quem fala alto, é certeza de problema. Mas o seu custo-benefício é impressionante.

Considerações sobre Headsets x Earsets

Na minha denominação (e acredito que em qualquer outra), os pregadores só querem saber de microfone “fininho” (como dizem os próprios). Já fui fazer evento em um ginásio com péssima acústica, tinha o headset AKG nas mãos (excelente para essa situação), mas o pregador não quis, disse que incomodava, colocou um monte de obstáculos e finalmente perguntou: “não tem o fininho não?”. Acabou usando um lapela para sufoco completo do operador (eu). Mas o headset não quis.

Em outra ocasião, minha denominação fez uma grande reunião em um estádio de futebol. O som ficou sob responsabilidade de ninguém menos que o Pedruzzi, da IATEC. Quando o pregador “exigiu” o “fininho”, ele não deixou, deu um headset para ele usar. Diante das reclamações, o Pedruzzi disse algo mais ou menos assim: “com o headset, a responsabilidade de deixar tudo perfeito é minha. Com o earset eu não garanto nada.” Como era o Pedruzzi, o pregador aceitou, mas não sem protesto.

Não sei se o problema é o peso, o incômodo, mas desconfio muito que o problema seja estético. Ninguém quer uma “bola” tampando o seu rosto, ainda que o uso de um headset (cuja maioria é cardióide) seja muito melhor para o operador de som que um earset (cuja maioria é ominidirecional). Mas uma coisa tenho certeza: todos querem o “fininho”, mas pagar por ele…

Não consigo ver vantagens em um earset, a não ser a questão estética. Os headsets podem ser feios, mas dão menos microfonia, são mais baratos e muito mais robustos. Ficam muito mais firmes no rosto (no caso do Shure, firme até demais), enquanto cansei de colocar Band-Aid para segurar o earset no rosto de algumas pessoas, pois o microfone teimava em sair do lugar (ou mesmo “pular” fora da orelha). Ainda assim, ofereça o chance de usar um earset para um pregador e ele não recusará.

Sistemas sem fio mono x multicanais

Cada vez mais estamos vendo sistemas de microfones sem fio multicanais. Conheço modelos com 3, 5, 10, 30, 90 e até centenas de canais diferentes. A grande vantagem dos sistemas multicanais é a chance de se trabalhar com vários sistemas sem fio, sem o risco de um interferir no outro.

Conheci um rapaz que comprou 10 microfones Karsect KRU-161 com o headset fininho para usar em apresentações teatrais na minha cidade. Funciona bem, mas ele só consegue usar 8 microfones de cada vez, nunca os 10. Ele trabalha “saltando” canais, (0, 2, 4, 6, 8, A, C, E), pois se colocar mais  microfones, as frequências interagem umas com as outras e começa a aparecer interferências. Não é problema nos mics, pois isoladamente todos os 10 trabalham muito bem.

Grandes eventos e shows, que precisam de dezenas de microfones sem fio precisam usar sistemas como o Shure PGX, com 90 canais, ou sistemas até maiores, com mais canais que isso.

Por isso que digo que hoje, 2007, já vale mais a pena comprar microfones que aceitam múltiplos canais. Eles podem estar mais caros ainda, mas terão uma vida útil maior.

Conectores dos transmissores

Notou pelas fotos que cada empresa tem um padrão? AKG usa miniXLR de 3 pinos, Shure usa miniXLR 4 pinos, AT usa miniXLR de 4 pinos e um formato diferente do Shure. O Karsect simples usa formato P2, comum em microfones mais baratos, e o Karsect mais caro usa miniXLR 3 pinos, igual ao AKG.

E não pense que isso porque o microfone tem 3 ou 4 fios. O manual do Shure cita com todas as letras: são apenas 2 fios!

Puxa vida, será que não dá para padronizar? 

3 Comments on "Headsets e Earsets AKG, Shure, Audio-Technica e Karsect"

  1. Muito interessante e instrutivo!
    Tenho uma questão: é possível um único sistema contemplar microfone sem fio e retorno de ouvido?
    Abraço
    Maryann

  2. Luiz eduardo junior | 28 de junho de 2018 at 21:22 | Responder

    Boao Noite meu amigo, gostaria de tirar uma dúvida com você se possível !
    Tenho um sistema de microfone sem fio da AKG ( Microfone Akg Pw Vset A 45 Vocal Dinâmico Perception Sem Fio). Microfone HT-45 e base SR 45.
    Gostaria de comprar um transmissor e um headset e montar um kit onde eu possa usar ou o microfone de mão , ou o headset.

    será que é possível utilizando a minha base? se for possível sabe onde consigo encontrar?

  3. WELLINGTON NETTO RODRIGUES | 17 de agosto de 2018 at 14:02 | Responder

    Parabéns pela comparação e pelas preciosas e específicas informações. Me ajudou muito a compreender o sistema e os modelos. Estou prestes a comprar para a igreja um destes dois modelos: TSI-8000 duplo bastão+Headset cli uhf ou Karsect KRU-362 duplo bastão+Headset.

    Se não for pedir demais, vocês poderiam me dar uma opinião sobre estes 2 modelos. O TSI R$ 1.500 reais e o Karsect R$ 1.000 reais. A proposta é O HEADSET para mim(pastor, presidente) e o bastão para o líder de louvor/Pregador convidado.

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