Mesa e outros equipamentos LEXSEN

Na Expomusic 2007, tive a oportunidade de ver alguns equipamentos (periféricos e amplificadores) bastante interessantes da marca LexSen, trazidos ao Brasil pela empresa ProShows. Havia amplificadores controlados via rede de computadores, equalizadores, compressores, etc. Era tudo lançamento, então só visto na feira, não nas lojas nem "ao vivo". Mas que eram bonitos, eram.

Neste ano, a ProShows trouxe também mesas de som da marca, e ampliou o leque de produtos disponíveis. E também promoveu workshops nas principais cidades do país (pena que eu não moro em uma destas principais cidades), para mostrar os produtos da marca. E agora, já começamos a encontrar os produtos nas lojas.

Mas há uma grande pergunta não quer se calar:

"Alguém compraria um produto de uma marca nova, completamente desconhecida? Se sim, quais os fatores que levam a pessoa a isso?"

Vamos responder com calma.

Toda marca nova que aparece no mercado encontra uma série de problemas mercadológicos, e dentre os principais destacamos:

–  ela precisa fazer um grande trabalho de marketing no Brasil, anunciando em revistas, divulgando  quem já usa os mesmos equipamentos no exterior, ressaltando a experiência, etc. Ou seja, tornar a marca conhecida aqui no Brasil! Isso vale até mesmo para marcas já famosas em outros países, mas não no Brasil. 

– ter uma política de preços agressiva. Para ganhar clientes e "fazer nome", ela precisa vender produtos com margem de lucro muito pequena. Isso porque qualquer pessoa, diante de um produto de marca conhecida e um de marca desconhecida, vai preferir o de marca conhecida, se ambos tiverem preços semelhantes. Em resumo, ninguém gosta de ser "cobaia", mas se o preço compensar…

– fornecer informações completas sobre o produto. Apesar de grande maioria dos clientes comprar porque "o vendedor disse que é ótimo", os profissionais que antes de comprar vão ler o manual, vão pesquisar, vão estudar o produto, então é interessante atendê-los bem. Isso é importante porque  normalmente os profissionais são "formadores de opinião", indicando (ou rejeitando) o produto a outros usuários. Se você convencer profissionais que o produto é bom, isso abrirá um novo leque de oportunidades e permitirá inclusive ter melhores margens de lucro no futuro.

– e, é claro, o produto tem que ajudar, seja em qualidade e/ou em quantidade de recursos disponíveis, além de um bom preço.
 
Mas são tarefas nada fáceis e por vezes desanimadoras. Apesar disso, acredito que a Proshows está fazendo um excelente trabalho. Temos acompanhado seus anúncios nas revistas especializadas; a idéia de promover os workshops (e com profissionais de renome, como Enrico de Paoli e Luizinho Referência) é excelente; os preços dos produtos estão muito bons; o site da empresa (www.proshows.com.br) está bem completo (mas onde estão os manuais? E as super-fotos para vermos cada detalhes os equipamentos). Também estão insistindo que os produtos terão boa assistência técnica, que peças de reposição não faltarão.

A própria linha de produtos não pára de crescer. Se em 2007 eles apresentaram periféricos e no início de 2008 apresentaram as mesas, agora já temos também microfones. No exterior, já há até caixas de som:

http://www.promusicaandorra.com/os/catalog/index.php?manufacturers_id=49&osCsid=flbtovatcmjga1badpuhhnfgb4

Por outro lado, quem é a LexSen neste mundo globalizado? Pesquisei muito, e não há na Internet muita referência a ela. Descobri que o produto é vendido no Brasil, Argentina, Uruguai, México (página do distribuidor no país: http://www.lexsenco.com/). Também é vendida na França (o link acima é de uma loja lá, mas só há caixas da marca. Mas onde está a página do fabricante? O que achei sobre LexSen foi isso:

LEXSEN ELETRONIC GROUP
7Fl-1 #129 Ln 235 Pao Chiao Rd,Hsintien
231 Taipei Hsien
Taiwan
Phone : ?+886 2 8919 17 28 
Fax : ?+886 2 8919 17 28

e isto?

"Lexsen Electronic Corporation

We were established in the year 1990, in the Guangdong province of China, and therefore have wide experience in all the line we handle. We are a professional manufacturer and exporter of car audio stereo system. We design and produce powerful car amplifiers, subwoofer, equalizer booster, paragraphic equalizer and electronic crossover. our principal markets are the United States, Europe, Australia, Asia. Our products enjoy great popularity in world market for its biauty and elegance of our designs, coupled with the superworkman-ship.

We have 30 persons (including one foreign experts engineer) in our R&D department, engaging in the development and introduction of art products. We have a team in place, whose responsibility is to manage a rigid QC proceduce, and to ensure each one of our products maintains its high quality.

Due to our high quality, prompt delivery, and great design capacity, we built up a pleasant and lasting business connection with all our customers.

If you have any comments or suggestions in respect of placing orders with us, please lay you case before us so that we may give it our care ful study.

We wait with interest your positive response!

Contact Details
Company Name: Lexsen Electronic Corporation
Company Address: No. 202, Songgang Duan, Guang Shen Rd, Song Gang Town, Bao An District, Shenzhen, Guangdong, China
City/Town: Shenzhen
Province/State: Guangdong
Country/Region: China
Zip/Postal Code: 518105"

Fontes:
http://www.made-in-china.com/import-export/YkJmSpEHoxDUprofile1/Lexsen-Electronic-Corporation.html
http://directory.kompass.com/en/Taiwan/Taipei%20Hsien/dir.php#lexsen

Será que são eles? Qual das duas? Taiwan ou China? Será que foi o fabricante de produtos de áudio para automóveis que resolveu se aventurar em sistemas de PA? Mas acho que a grande pergunta, sobre este assunto, é:

Será que, neste mundo globalizado e com tudo a um click de distância, algum fabricante pode se dar ao luxo de ignorar a Internet? Se dar ao luxo de ignorar seus consumidores?

Bem, quando comparamos que os concorrentes diretos como a Behringer (www.behringer.com)  que tem um ótimo site e a Roxy (www.roxyaudio.com)  que tem um site (não é grandes coisas mas tem), então…

Mas deixemos isso para lá e vamos ao que interessa. Olhar os equipamentos da marca.

Tive a oportunidade de ver equipamentos da marca em uma loja da minha cidade, que está vendendo alguns periféricos e uma mesa PM-16ES. Eu gostaria de dizer que tive o oportunidade de testar, mas infelizmente, não pude. Segundo o vendedor, não havia condições para teste (caixas e amplificadores disponíveis – isso em uma loja de sonorização!), "mas você pode ficar tranquilo que tem ótima sonoridade, igual à Behringer, aliás eu acho até melhor que a da Behringer". Palavra do vendedor, que aliás não vendia Behringer! É bom sempre ser crítico em relação a vendedores.

Quanto aos periféricos, posso dizer o seguinte depois de olhá-los:

Não tinham nada de mais em recursos, semelhantes a diversos outros fabricantes, apenas um preço muito bom. Sem testar, difícil falar algo mais que isso.

Mas tinha uma mesa de som, e ela é novidade, então eu não podia deixar de dar uma boa olhada nela. Gostaria muito de ter feito um "Teste de Equipamentos" decente, com as impressões sonoras, mas, sem outra opção, vou "confiar" nas palavras do vendedor, e considerar que a sonoridade é semelhante às mesas Behringer. Então, vamos dar uma olhada na mesa.

É uma mesa larga, que excede os limites do de um rack 19" nessa versão. Para muitos, isso já é um incômodo, pois vão ter que providenciar mesa ou adaptações ao rack. Em compensação, tem pouca altura (10cm, aproximadamente, com os potenciômetros incluídos), e é bem leve. São 5,15 kg sem a fonte, que é externa (e pesa mais 1kg extra).

Vou começar falando da parte de trás da mesa. A fonte é externa, e conecta-se à mesa via um conector de 3 pinos, parecido com o XLR (mas de rosca, para garantir mais segurança). Idêntico ao sistema de muitas mesas Yamaha da série MG. Ao lado, há o onipresente "Made in China" e um selo escrito RoHs.

Quanto à fonte externa, cabem uns comentários. Nós, usuários, preferimos a fonte interna, pois é menos um trambolho para carregar (isso quando não é verdadeiro um problema – quem nunca levou o equipamento e esqueceu a fonte para trás?). Apesar disso, muitos equipamentos trazem fontes externas porque simplesmente não há espaço interno para a instalação da peça.

Mas há algo que poucos sabem. Os aparelhos com fonte interna, para serem vendidos no mercado americano, precisam ter um selo de aprovação da FCC, a "Anatel" dos EUA. A FCC testa os produtos quanto à quantidade de emissão de interferência eletromagnética da fonte no próprio aparelho em outros equipamentos eletrônicos. Isso porque a fonte interna de um aparelho, em um rack de equipamentos, não deve interferir no funcionamento de outros. Só que isso exige um melhor projeto do fabricante, uma fonte mais elaborada, mais cara. Evidente que isso é mais um custo para o fabricante e para o custo final do produto.

Mas não existe esta necessidade de aprovação pela FCC em caso de equipamentos com fonte externa, pois a fonte pode ser instalada longe de outros equipamentos e não causar assim interferência alguma.

Porque escrevo isto? Como já falei, existem aparelhos cuja fonte é externa porque são muito compactos, e não sobra espaço para se colocar as peças da fonte do lado de dentro do gabinete. Mas nesta mesa, não parece ser o caso. A mesa é generosa em espaço. Em vez dos controles próximos uns dos outros, tudo tem sobra de espaço, há bastante folga (aliás, tremenda vantagem para quem tem mão grande). Entretanto, se aparenta ter tanto espaço, porque não colocar a fonte interna, opção muito mais interessante para os usuários? Será que é para fugir da FCC? Não gostei: fiquei na dúvida, e não gosto de ter dúvidas.

Em compensação, gostei muito de ver o selo RoHS*. Para quem não sabe, a norma RoHS é uma rígida norma adotada em toda União Européia, que proíbe que equipamentos eletrônicos tenham chumbo na sua composição ou em suas soldas. Isso é interessante porque mostra que o produto é fabricado tendo em vista o concorrido mercado europeu.

*Para mais informações sobre RoHS, consulte: http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1120/1

O equipamento tem 8 canais mono, 4 canais estéreos (contados como 2, por isso o  nome de PM-16, de 16 canais), um equalizador de 7 bandas e um módulo de efeitos. Há dois subgrupos, uma saída Mono Out, e masters L e R.

Por canal mono, temos:

– Conectores XLR e P10, como sempre
– Conectores para Inserts, como sempre
– Controles de ganho (chamados de TRIM)

Já senti falta de um filtro do tipo Low-Cut (corte de graves), tão comum em equipamentos semelhantes de outros fabricantes.

A equalização é de 3 vias, +/- 15dB, centrada em 12kHz (agudos), 2,5kHz (médios) e 80Hz (graves)  , a mesma coisa de praticamente todos os fabricantes. Entretanto, não há varredura de médios! Outros fabricantes, em equipamentos de tamanho equivalente, já tem esse recurso.

Uma coisa interessante é que, para ressaltar a seção de equalização, a pintura do chassis é invertida (em vez de letras pretas no fundo branco, letras brancas no fundo preto). Não ficou ruim, mas o contraste de cores não foi dos melhores. Não dá para confundir porque a mesa é muito espaçosa, mas se fosse mais compacta… Teria sido mais interessante se os knobs (os plásticos dos potenciômetros rotativos) fossem também invertidos, brancos com faixa preta. Pequeno detalhe, com certeza, mas são os detalhes que fazem toda a diferença.

Após isso, temos a seção de auxiliares, e a coisa fica um pouco complicada aqui. Há as seguintes marcações: Aux 1 e Aux 2, FX, Mon. Eu pensei logo: Aux 1 e 2 são Pré-Fader, FX é do efeito interno e Mon… o que é o Mon mesmo? Deveria ser um Aux Pós, mas Mon… será que é um controle independente que joga o som para a saída Mono Out?

Tive que consultar o manual (em português e bem completo, apesar de um pouco confuso na parte de fotos, já que engloba vários modelos), que me foi enviado por e-mail (em Julho colocaram no site da ProShows e agora em Setembro tiraram. Porque?). Aux 1 é pré-fader, Aux 2 é pós fader, FX é para o efeito interno e Mon é outro Aux Pré-Fader. Estranho, não? Se o Mon é pré-fader, porque não está junto do outro? E porque o nome diferente? Padronização é algo que ajuda a todos e facilita a vida do usuário. Mais um "detalhe"…

Logo abaixo, o PAN, a luz de pico, o PFL (pré escuta do canal pelo fone de ouvido) e os botões de endereçamento para o L/R e/ou para os subgrupos disponíveis. Faltou um Mute: apesar de ser possível mutar o canal se retirarmos o seu endereçamento, um Mute é sempre muito bem vindo, em nossa opinião. E praticamente todos os outros fabricantes colocam Mute nos seus equipamentos de porte semelhante!

O fader é grande (estava sem régua, mas pareceu-me de 60mm) e bem macio. Em compensação, os botões do endereçamento são duros; falta-lhes a maciez encontrada em praticamente todos os outros fabricantes.

Os canais estéreos tem a mesmíssima configuração que os canais mono, exceto pelo fato de não ter entrada XLR, mas sim duas P10, sendo que a entrada L funciona como mono.

Na seção Master, temos os faders dos subgrupos 1 e 2, um fader Mono Out (cópia do sinal de L/R, com saída por conector P10), e faders independentes para L e R (melhor que o fader único encontrado em várias outras marcas) – um bom detalhe. Mas com o espaço sobrando que há, não havia como fazer diferente. Os masters tem saídas balanceadas e/ou desbalanceadas, XLR e/ou P10.

Estranhamente não há botões de endereçamento dos subgrupos para o Master ao lado dos faders correspondentes. Todo o som dos subgrupos é encaminhado para os masters diretamente. Tudo bem que quase 100% das vezes endereçamos os subs para as saídas Masters, mas às vezes usamos os subs como uma mixagem "independente". Por exemplo, mandamos para o L/R todos os canais e para os Grupos apenas os canais que queremos gravar (ou sonorizar outro ambiente, etc). Só que, nessa mesa, se fizermos isso, o canal será encaminhado duas vezes para o master (via L/R e via grupo), o que pode trazer transtornos: ao se mexer nos subs, o volume nos masters também será alterado. Ruim isso.

Acima dos faders, há uma seção interessante, que vamos ver de da direita para a esquerda. Há dois Masters dos Auxiliares 1 e 2 (Aux 1 e 2 Send), e um pouco mais para cima há a chave que aciona o Phantom Power para todos os canais mono (XLR), inclusive com luz de aviso. Depois, há um controle de TAPE IN, nada mais que um botão rotativo de volume.

Há então um controle de Phone/Control Room, com opções para se ouvir o L/R, o PFL, os grupos. Há dois controles de Aux Return. O som de retorno dos auxiliares (em geral, módulos de efeito) pode ser endereçado para o PFL, para os subgrupos e para o L/R. Poderia haver uma chave para o controle Mon (não o Mono Out, mas para o auxiliar pré chamado de Mon).
 
Mais em cima, completamente fora de posição (poderia trocar este controle com a chave de Phantom Power), há o master da saída Mon (Aux Pré, não o Mono Out – que confusão!).

Acima desses controles, há o módulo de efeitos. São 99 efeitos de 24bits! E o que isso quer dizer? Sem poder ouvir, não quer dizer nada! Se são bons ou ruins, só testando mesmo, com alguém cantando, com músicos, etc. Pelo menos os controles são adequados. Há possibilidade de endereçar o efeito interno para os auxiliares, para o L/R, tem até Mute! Mas eu trocava o Mute do efeito por Mute nos canais.

O equalizador é de 7 faixas e de +/- 12dB. Não posso dizer muito sobre ele, mas pelo menos ele pode ser endereçado para os masters ou para o Auxiliar 1 ou o 2.

Quanto às conexões de saída, serve dizer que existem em número adequado ao equipamento. E é só.

Bem, como deu para ver, faltam vários recursos úteis (alguns bem úteis). O básico está lá, permitindo a qualquer um trabalhar. Mas Low Cut, Mute, varredura de médios, botões de endereçamento nos subs… isso pode fazer uma falta danada àqueles com mais experiência.

Por outro lado, para quem está sem muita verba, pode ser uma boa opção, pois essa economia de recursos permitiu também grande economia de preço. Na loja onde vi, esta mesa estava anunciada por 999,00. Mas em outras lojas (vide Mercado Livre), a mesma mesa era anunciada por 839,00. Isso com nota fiscal e garantia de 1 ano. Mesmo com frete, o custo ficaria na faixa de 900,00 para este equipamento, bem abaixo do preço do concorrente direto:

Sem poder ter "ouvido" e "sentido" a mesa, pareceu ser um produto bem inferior ao Behringer em termos de recursos, mas pelo menos tem o preço cerca de 30% menor. Então, está dada a resposta à nossa pergunta inicial, sobre o motivo para alguém comprar esses equipamentos: pelo preço, extremamente convidativo. E se a sonoridade for boa e a assistência técnica também, conforme prometido pela Proshows, passa a ser uma boa compra para quem não é exigente de recursos.

O produto, por sua vez, parece que é a primeira linha de mixers da marca, e ainda apresenta alguns pequenos erros de projeto, e ainda muitas coisas que podem ser melhoradas. Nada que atrapalhe o funcionamento, pois são apenas pequenos "detalhes" a acertar, mas que fazem uma diferença e tanto.

Pelo menos não é uma cópia. A Roxy seguiu o caminho mais simples: copiou pura e descaradamente os produtos da Behringer. Pelo menos a LexSen não copiou nada, implementou tudo do zero, e é claro que isso traz problemas, alguns erros. Mas que eles poderiam ter dado uma "olhada" para os lados, claro que sim! Exemplos de bons equipamentos não faltam! 

Para quem está interessado em preço baixo acima de tudo, uma ótima aquisição. Não é uma "Brastemp", mas acredito que os produtos funcionem razoavelmente bem para o seu propósito. Tomara!

2 Comments on "Mesa e outros equipamentos LEXSEN"

  1. Olá eu tenho uma mesa dessa na minha igreja .. alguém poderia me enviar o manual dela que não encontro em lugar nenhum…email [email protected]

  2. Boa noite, como acho a saida para retorno na mesa m2442fx-usb?

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