Microfone sem fio Karsect KRU-102 UHF

Março de 2005. Quis eu comprar 2 microfones sem fio. Alguma coisa boa, bonita e, principalmente, barata, mas sem perder a qualidade. Uma exigência:. tem que ser UHF. Outra exigência: tem que custar abaixo de 1.000,00 reais. Esse limite elimina os AKG, Shure e outras marcas de grife, que vão custar 1.000,00 um único microfone. Terceira exigência: 2 microfones em uma única base. Essa configuração custa muito menos que dois conjuntos, e ainda é menos coisas para carregar, menos fontes para ocupar espaço no filtro de linha, etc.

Após muitas pesquisas, encontrei dois modelos apenas que atendiam a essas condições (isso no início de 2005, hoje existem vários outros): TSI UD 1000 por R$ 1.000,00 e um tal de Karsect, KRU-102, por 700,00. Hoje existem mais modelos. Na época, só esses dois.

Hoje, esse Karsect é encontrado em qualquer Eletrônica. Bom, bonito e barato. Mas no início do ano passado, nem existia no Espírito Santo. Achei ele em uma loja de São Paulo, pela Internet. E eu, como ninguém, não gosto de ser cobaia. Mas pelo preço… Cheguei a ir no Rio de Janeiro, visitei às lojas do Largo da Carioca, e só uma tinha um único Karsect, mesmo assim um modelo transmissor de instrumentos. O vendedor deu ótimas referências, mas a gente fica sempre na dúvida entre acreditar na palavra ou imaginar que ele queria mesmo é se livrar da última peça.

Uma saída foi tentar encontrar quem usava esse microfone. Encontrei uma única mensagem, em um fórum, sem muita informação. Praticamente nenhuma referência. Foi na verdade um dos motivos para montar esse site: um lugar para a gente encontrar informação e não ficar completamente perdido como eu estava à época. Confesso: atirei no escuro. Graças a Deus, acertei na mosca: microfone bom, bonito e barato.

Bem, vamos ao microfone. O modelo que comprei é o KRU-102. À primeira vista, a base é feia e quadradona. Hoje, já existem modelos redondinhos (KRU-302), lembrando os Shure. Na frente, nada demais, apenas dois botões de volume e leds indicadores de microfone ligado e nível de sinal.

O legal é a parte de trás. Posso dizer que foi a foto abaixo que me fez fechar a compra. Duas saídas balanceadas e independentes, e ainda com uma saída P10 com o sinal dos ambos os microfones A+B. Fabricantes ruins não trabalham com saídas balanceadas. Outro ponto fortíssimo foi o ajuste de Squelch, só encontrado em microfones profissionais. O squelch é um ajuste que funciona assim: em um extremo, a base é menos seletiva quanto a freqüência (por exemplo, capta 500KHz antes e depois da freqüência central), mas o alcance é maior. No outro extremo, a base é mais seletiva quanto à freqüência (por exemplo, capta apenas 50KHz antes e depois da freqüência central), mas o alcance é diminuído. Isso permite resolver situações em que está acontecendo captação de interferências ou quando se precisa aumentar a distância de uso. De fábrica, ele vem ajustado para a melhor relação distância/interferência possível, mas pelo menos dá ao usuário a opção de escolher o que ele quer.

Vários microfones de “grife” tem squelch automático. Mas microfones baratos não o têm, nem automático nem forma de ajustar. O Karsect tem, e isso mostra o cuidado com o projeto, e posiciona o microfone como “o melhor dos baratos”.

Quanto ao microfone, ele é cópia do transmissor da Shure. Mesmo formato, mas com muitas diferenças. Primeiro: o modelo da Shure é extremamente pesado, enquanto o modelo da Karsect (KST-5U) é extremamente leve. Deve ser algo em torno de 500g contra 100g. E muitos pregadores, que reclamavam de dor no braço por ficar segurando o Shure por muito tempo, elogiaram o Karsect, pela leveza.

 

Leveza não é sinal de microfone ruim. O transmissor tem excelente alcance, tendo já trabalhado a mais de 50 metros em algumas situações sem problema algum, e já testado a quase 80 metros sem problema (mas não tive coragem de usar assim tão longe). Inclusive, já o testei em tanque de batismo, talvez a mais séria situação que um microfone sem fio pode enfrentar. Enquanto um Shure True Diversity VHF (duas antenas) funcionava com uma chiadeira enorme, o Karsect (de uma única antena) apresentava som limpíssimo, mas como a água é terrível para todos, o som às vezes sumia por alguns instantes (menos de 1 segundo, mas perceptível).

Quanto ao som, não dá para comparar. O Shure SM-58 é realmente uma lenda. A cápsula do Karsect é razoável, mas tem que tirar grave e acrescentar agudos para ficar bom. Bem equalizado, o resultado é bom e agradável. Mas o Karsect tem seus pontos, como excelente sensibilidade, podendo ser utilizado “na barriga” e com o microfone ainda captando legal.

O manual do produto é simples (todos os chineses são) mas honesto.  A garantia era apenas de 3 meses, e em caso de problema teria que mandar para São Paulo, para o distribuidor, a Sonotec (www.sonotec.com.br). Hoje, não sei como está, se a garantia aumentou, mas sei que o produto está comigo todo esse tempo e ainda funciona perfeitamente. O manual, que no meu só veio em inglês, agora há também a versão em português, bem traduzido, mostrando o cuidado do distribuidor.

Com algumas dúvidas, entrei em contato com a fábrica pelo site (www.karsect.com) e – surpresa – obtive respostas, excelentes. Conversei (em inglês) com o engenheiro responsável pelo produto! Por exemplo, no compartimento da pilha há um pequeno ajuste cuja função não consta no manual. Perguntei o que é, e recebi a resposta que é um ajuste de sensibilidade da cápsula. Um ajuste de ganho! Os Shure têm o mesmo ajuste! Tudo bem que quase nunca será necessário mexer, mas é bom que exista.

Hoje, novos produtos (bem mais bonitos) foram lançados. Ainda existe o KRU-102, com o preço na faixa de R$ 600,00 (o dólar abaixou), mas também foi lançado o KRU-302, que é praticamente o mesmo modelo, com distância efetiva um pouco menor e já sem o controle de ganho da cápsula. Ainda assim, um “senhor” microfone por apenas 450,00 reais! O modelo KRU-301 custa 400,00, é True Diversity, tem um alcance maior, mas se distância não for um fator primordial, compre o 302 mesmo, e aproveite para levar um segundo microfones por apenas 50,00 de diferença. Alguns amigos compraram e estão muito satisfeitos com o KRU-302.

Mas não pense que o Karsect não tem defeitos. Ele não é páreo para um Shure, um AKG, um Neumann, um Sennheiser, um Audio Tecnica, e não só em qualidade sonora. O Karsect, quando submetido a altas pressões sonoras, como por exemplo ao microfonar uma pessoa com com voz muito potente ou um instrumento musical mais forte (um sax, por exemplo), distorce o som captado. Ele não aguenta os “picos” e entra em clipping. Já os microfones de primeira linha (marcas citadas acima e alguns modelos de outros fabricantes) aguentam bem mais pressão sonora sem distorcer.

Apesar de ocorrer essa distorção em altos SPL, isso não desmerece o microfone e a marca. Tirando os grandes fabricantes, todos os outros distorcem também. Qualquer Le Son, qualquer TSI, o Shure Liric, Samson R21, Behringer XM também distorcem quando submetidos a altos níveis de volume. Assim, é necessário observar a destinação do microfone. Se for para um pregador que não costuma “gritar” durante a pregação, será excelente escolha. Se o pregador “grita” muito, então investir em um microfone de melhor qualidade será melhor. O mesmo raciocício se aplica a um cantor.

De qualquer forma, por 450,00 reais dois microfones (uma base + dois mics), ele está uma pechincha. Tem melhor custo/benefício que outros mics duplos sem fio, como o TSI MS-425 (VHF com saídas P10), no mesmo preço e é mais barato que o TSI UD 1000 UHF XLR, de 800,00. E não dá para comparar com os de primeira linha, sempre acima de 1.000,00 reais por um único microfone. Se a grana está curta, pode ter certeza de que é um excelente negócio.

Produto realmente bom, bonito (o KRU-302) e barato. Recomendado!

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3 Comments on "Microfone sem fio Karsect KRU-102 UHF"

  1. kaiser sidney barreto | 5 de maio de 2016 at 18:25 | Responder

    é, karsect quebra um galho pra quem nao tem dinheiro pra comprar um akg,um shure ou os outros top,mas dizer que é bom eu nao acho.

  2. Amigo… achei interessante… Será que o Karsect k7c para bateria tem o mesmo problema de distorção em alto SPL?

  3. Valdir Teodoro da Silva | 24 de dezembro de 2016 at 18:24 | Responder

    Prezado colega, primeiramente registro que gostei muito de suas informações. Comprei o 302, liguei a uma caixa de som, funcionou por alguns minutos os dois. Após, só um funcionou e em seguida os dois pararam de funcionar. Quando a gente toca nele, pisca no aparelho, naquela base. Apó, de repente, deixou de acender (piscar). O que devo fazer?

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