Não é uma caixa, é um caixão: Studio R Sky Sound 1000

Quem faz os melhores amplificadores do Brasil também pode fazer as melhores caixas ativas! É com essa premissa que a Studio R fabricou, em 2004/2005, caixas ativas de altíssimo nível. E lá no Anfiteatro temos 2, do modelo Sky Sound 1000.

As caixas usam amplificadores com a mesma qualidade (e diversos circuitos de proteção) que os amplificadores Studio R normais. As proteções vão desde circuitos de acionamento que aumentam gradativamente o som (chamados por AutoRamp, SoftStart ou SoftOn, dependendo do fabricante) até opto-limitadores inteligentes (limitadores que variam conforme a tensão de entrada). Além disso, as proteções contra alta temperatura, curto circuito e flutuações de tensão de rede AC.

Quem olha pela primeira vez se assusta. A caixa é grande, 1,35m de largura por 47cm de largura por 47cm de profundidade. Parece um caixão! Quase cabe um adulto dentro. O peso é de 60kg, muito para uma pessoa só, tranquilo para duas. De qualquer forma, a caixa tem rodízios embaixo, tornando o seu transporte (pelo menos em superfícies lisas) bem mais fácil. Mesmo com esse tamanho todo, a caixa é toda projetada para ser usada em sistema fly também.

As especificações técnicas são as seguintes:

-Frequência de resposta:  (+/- 3dB) 35 – 18.000Hz (excelente, muito linear)
-SPL máximo a 1m de distância:  128 dB (só para ter idéia, 120dB é o limiar da dor)
-Ângulo de cobertura: 40×40 graus
-Crossover 1500Hz, 24 dB/8a ativo
-Equalizador de 3 bandas +/- 10dB em 100Hz, 1KHz e 10KHz
-Amplificadores de potência (graves/agudos – a caixa é bi-amplificada): 540W RMS 4 ohms / 70W RMS 8 ohms
-Temperatura ambiente de operação 0 a +45 graus

A caixa é equipada com 2 falantes de 15″ da Selenium. A Studio R não se preocupou em esconder o fabricante dos woofers, que está lá para todo mundo ver. Provavelmente, são dois 15PW5 ou 15PW3, ambos de 8 Ohms, ligados em paralelo. Se por um lado isso permite extrair toda a potência do amplificador e aumentar a sensibilidade (dois falantes juntos tem sensibilidade +3dB em relação a um único sozinho) essa ligação faz com que a caixa não possa alimentar outra passiva. Assim, para o uso comum,  de pares de caixas,  é obrigatório o uso de duas caixas ativas.

O driver de titânio é de 2 polegadas. Só não dá para dizer que é um Selenium  porque a resposta da caixa é até 18KHz, mas os drivers Selenium vão até 20KHz ou mais. Note um detalhe que passa despercebido por muitos: foi utilizado um divisor de 4a. ordem (24dB/oitava), enquanto quase todo mundo utiliza divisor de 2a. ordem (12dB/oitava). Só para comparar, os capacitores usados em sistemas amadores são divisores de 1a. ordem, 6dB/oitava. Sabe o que isso significa: mais proteção para o driver, pois ele vai receber somente o que pode “falar”, diminuindo ao máximo o risco de queimas.

De qualquer forma, a caixa tem um sonzão. Os graves são “gordos” e dão uma enorme sensação de “poder”. Os médios e agudos são cristalinos, muito bons. Também, pudera: são 600W RMS totais. E o mais legal é que a caixa, mesmo à potência máxima, fala os 600W com um mínimo de distorção, graças aos circuitos de proteção.

Falando nos 600W, não há na caixa um sistema de ventilação à mostra. Existem caixas ativas de menor potência, de outros fabricantes que possuem um ventilador para resfriamento. Essas Studio R não. O resfriamento é passivo mesmo (em um sistema chamado “Pipes” pelo fabricante). O ar movimentado pelos falantes é que resfria os amplificadores. Como quanto mais potência mais ar os falantes movimentam, o amplificador trabalha sempre em uma temperatura ótima. Se a Studio R diz isso, acho que dá para confiar.

O painel é bem completo. Para quem não ligar a caixa na mesa de som (o mais comum) a Sky apresenta uma entrada de linha e de microfones, independentes. Existe também equalização de grave/médio/agudo e saídas para alimentar uma segunda caixa.

Já foram feitas reuniões da igreja para 5.000 pessoas com apenas essas duas caixas no PA. Foi em um ginásio fechado, com acústica relativamente boa. Sobrou volume, até. As caixas ficaram no palco (um dos lados da quadra de esportes) e de todo o ginásio dava para se ouvir tudo bem alto e claro.

Após algum tempo de uso, o driver parou de falar, ou melhor, o som saia todo distorcido. Ok, defeitos acontecem, mesmo na Studio R. Pelo menos foi bom para ver o nível da assistência técnica de fábrica.

Na minha denominação, as notas fiscais são todas guardadas em outra cidade, e o acesso à elas seria difícil. Não dava para saber nem se estava na garantia ou não (tudo bem, são 3 anos, mas era bom confirmar). Como era difícil isso tudo, tentamos um caminho mais curto: mandamos um e-mail para a Studio R, com o número de série. Perguntamos se ainda estava na garantia, se poderíamos levar na autorizada local mesmo sem nota fiscal. A resposta veio no outro dia: estava na garantia, e a autorizada já estava avisada que a caixa chegaria. A caixa deu entrada dia 30/outubro, e no dia 08/novembro já estava perfeita. Os CI’s do amplificador de médio-agudos estava em curto, o rapaz da assistência acionou a fábrica que mandou a peça por SEDEX (enquanto já vi outros fabricantes enviando por encomenda normal). Menos de 10 dias. Uau, e tudo resolvido da maneira mais simples possível. Assistência técnica rápida e eficiente, como tem que ser.

Se posso recomendar? Claro, são excelentes, nos atendem perfeitamente, e apesar do problema, continuamos confiando nelas. Para as muitas reuniões de evangelização que fazemos, essas caixas são ótimas, pois permitem a montagem/desmotagem rápida de sistemas de sonorização, e sem medo de dar mais público que o esperado, pois tem potência de sobra.

Mas a Studio R parou de fabricar caixas! Em um Workshop promovido pela Studio R que assisti, com o diretor comercial da empresa, o Rodrigo, ele comentou que deixaram de ser fabricadas porque não conseguiram alcançar a qualidade esperada por causa dos falantes Selenium. “Poxa Rodrigo, a Selenium exporta para um monte de países, é dos melhores nacionais” – alguém falou. Ele respondeu o seguinte: “É, mas a gente quer mais qualidade ainda. Estamos conversando com a Beyma” (fabricante espanhola, um dos mais conceituados do mundo).

Particularmente, acho que não o Rodrigo “exagerou” um pouco. Ou as caixas tiveram pouca aceitação do mercado ou então foi porque a Studio R focou a produção nos seus revolucionários amplificadores da série X, que estão fazendo um grande sucesso e a empresa não teve como ficar com duas linhas de produção. Isso vai ficar como cenas dos próximos capítulos, ao vermos a Studio R lançar novas caixas ativas ou não.

De qualquer forma, uma pena não existir mais a Sky Sound 1000. A Staner aproveitou o nicho deixado e lançou a PS-500, uma caixa, com 500W RMS totais (400W graves + 100W médio-agudos), também de excepcional qualidade.

Infelizmente, não foi possível tirar fotos da parte interna. As caixas estão na garantia ainda. Se alguém tiver essas fotos, só enviar nos comentários.

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